sexta 05 junho 2020
Arquibancada

Controvérsias do domingo de futebol

Paulo André, ex-zagueiro do Corinthians, e Maicon, ex-meia do São Paulo, foram até a Justiça do Trabalho e venceram ações contra seus ex-clubes por alguns motivos, entre eles por atuarem aos domingos e jogarem após às 22h durante a semana sem compensação financeira.

Assim como qualquer trabalhador, jogador de futebol também é registrado em CLT, mas ao mesmo tempo a Lei Pelé vai junto aos acordos trabalhistas e vale em situações especiais que envolvem o esporte.

Seguindo a legislação trabalhista, a Justiça condenou os dois times da capital em ações por adicional noturno e partidas em domingos e feriados não compensadas. Os clubes até tentaram, mas os tribunais recusaram a defesa de que atividades nesses períodos possuíam características desportivas.

Como tudo no Direito, a questão é interpretativa e diferentes especialistas se posicionam favoráveis e contrários a decisão tomada. Apesar disso, observando um cenário em que se apresentam dois jogadores consagrados que receberam salários milionários durante a carreira, chega próximo ao absurdo saberem que ambos foram até a Justiça buscar o referido direito.

Prática tradicional no futebol, principalmente em grandes clubes que fizeram parte da carreira de Paulo André e ainda são rotina para Maicon, o “bicho” é uma premiação, muitas vezes robusta, que recompensa o bom desempenho de jogadores e comissão técnica após grandes vitórias e títulos conquistados.

Em um país que a desigualdade social prevalece, o “bicho” jamais foi questionado no futebol glamuroso das principais divisões nacionais, enquanto muitos adolescentes vivem em periferias com dinheiro contado, ou em alguns casos na miséria, não se incomodam de jogar de domingo ou qualquer outro dia da semana, independente do horário, recebendo valores ilusórios, tudo em busca do sonho de se tornar um grande jogador e ídolo nacional.

A postura de Maicon e Paulo André é patética e mostra a individualidade lamentável de dois atletas que deveriam servir de modelo com condutas dignas e exemplares. Como ex-líder do Bom Senso FC, movimento que buscava mudanças extremamente importantes no futebol brasileiro, o ex-zagueiro jamais poderia ter um comportamento como esse que serviu apenas para tornar questionável sua imagem e até desrespeitar o torcedor.

Eduardo Martins

 (jalesense, aluno do 4° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 

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