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Contra a onda conservadora e reacionária que atinge o Brasil

(Manifesto de professores de Jales e Região)
17 de junho de 2018
 “Miserável país aquele que não tem heróis.  Miserável país aquele que precisa de heróis”. (Brecht)

Um espectro conservador e reacionário ronda o globo terrestre. Verificável na Europa, na Ásia, na África, nos Estados Unidos e, lógico, na América Latina, em particular, no Brasil. As mazelas do capitalismo, os horrores da globalização e o fracasso da política econômica do neoliberalismo puseram a naufragar sonhos, utopias e desejos.
Albert Camus – gênio franco-argelino – comentava que diante do absurdo temos duas saídas: ou o suicídio ou a revolta. Está difícil apontar qual o caminho que a maioria tomou.
As lições de Hannah Arendt com relação à banalidade do mal, a chaga aberta do nazi-fascismo, os descalabros provocados pelas duas grandes guerras e seu período intermediário, os horrores da Guerra Fria, as ditaduras militares tropicais e africanas, o fundamentalismo islâmico, as atrocidades de Israel para com o povo árabe, dentre outras, não são lições suficientes para pensarmos em algo novo, ou melhor?
Se voltarmos à nossa história recente, toda atrocidade da ditadura militar no Brasil, agora encorpada com documentos da CIA (serviço de inteligência dos Estados Unidos), não é suficiente para execrarmos qualquer possibilidade de retorno semelhante?
Recordemos da carta de Einstein enviada à Freud, no momento em que se avizinhava a segunda guerra mundial. A missiva solicitava ao pai da psicanálise uma colaboração para que a comunidade intelectual se posicionasse contra o terror próximo.
Uma recente onda conservadora e reacionária atinge o Brasil.
Desemprego em alta, aumento da miséria, perda de direitos civis básicos, ofensa atentatória aos direitos naturais, acrescidos pela impunidade das classes política e empresarial e um poder judiciário que age como poder moderador. Assistimos atônitos e muitas vezes impotentes “ver emergir o monstro da lagoa”: o do totalitarismo.
Ainda que pairem muitas incertezas, há uma certeza cristalizada: se a democracia é imperfeita é nosso papel corrigi-la. Além disso, não há formato melhor. Defender a democracia passou a ser uma tarefa central. 
Precisamos assumir nosso papel de agentes da história e tomar a história como premissa básica de nossas ações, balizadas pela ética e pela moral.
Sem a arrogância ou a petulância de nos arrolarmos ao direito de se comparar a Einstein ou Freud, nós, também intelectuais, nos vimos na obrigação moral, de nos dirigirmos a todos, a fim de repudiar com veemência toda e qualquer ação ou propositura que se apresente em nome do horror, da destruição e do suicídio coletivo de nossa comunidade, via intervenção militar. 
Não ao retorno de um tempo sombrio e execrável, o qual está cravado em nossos corações e mentes e na vida de muitos que sangraram e tombaram pelo sonho de um mundo melhor. 

Adriana Juliana M. Campos - Unijales; Alessandro A. N. C. Dias – Unijales; Ana Cláudia de Carvalho – Unijales; Bruno de Oliveira Ribeiro - cientista social;  Carla Villamaina Centeno - UEMS; Célia Regina da Silva Zerbato – Unijales; Daisy Ap. Romagnoli de M. Andrade – Unijales; Eliana Menossi da Silva Floriano – Unijales; Elza Maria de Andrade – Artes/História; Fernanda M. Pinheiro – Unijales; Gilberto Abreu de Oliveira – História; Hugo Schayer Sabino - UEMS; Jémerson Quirino de Almeida - Unijales/UEMS; José Renato S. T. Barbosa – Unijales; Jéssika Viviani Kumura – Unijales; Léo Huber – Unijales; Sedeval Nardoque - UFMS/CPTL; Sinomar Ferreira do Rio – UEMS; Tamar Naline Shuminski – Unijales; Widson Tainan Ros Martins – Unijales.