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Conta de soma zero

Editorial
28 de abril de 2019
Qualquer aluno das séries finais do Ensino Fundamental já leu em algum livro de História do Brasil que um golpe militar depôs o presidente da república, João Goulart, no dia 31 de março de 1964.
Os pesquisadores relatam também que, a princípio, os militares que tomaram o poder pela força pretendiam governar o país por apenas dois anos, após o que seriam convocadas eleições gerais, inclusive para a presidência. 
Porém, não foi o que aconteceu. Setores mais radicais das Forças Armadas ganharam a disputa interna, o que redundou em 21 anos de governo de exceção, ao longo dos quais houve graves violações ao Estado de Direito, inclusive com prisões, torturas e execuções dos que eram considerados inimigos. 
Não é preciso ir longe para constatar o que a história conta. Por exemplo, um político com atuação em Jales, o deputado estadual Roberto Rollemberg, que tinha sido prefeito e vereador, foi cassado com base em ato discricionário, perdeu os direitos políticos, ficando banido da vida pública por 10 anos. 
Embora os donos do poder não tenham apontado um só crime cometido pelo punido, RR só foi reabilitado em 1979, quando recuperou o direito de votar e ser votado. O povo lavou sua honra elegendo-o deputado federal em 1982, com reeleição em 1986 e 1990.
Diante de tantas evidências, causou estranheza de norte a sul do país quando, em meados de março, o presidente Jair Bolsonaro, tentando reescrever a história, recomendou a seus subordinados a comemoração do 31 de março como um movimento cívico que livrou a nação do comunismo.
 A reação foi forte em todos os setores da vida nacional, o que levou o presidente, eleito pelo voto popular em outubro do ano passado, a um providencial recuo, trocando o verbo “comemorar” por “rememorar”, limitando as manifestações apenas aos quartéis.
Pois bem, foi aí que os vereadores de Jales capitaneados pelo colega Macetão(PP) resolveram ser mais realistas do que o rei, aprovando uma moção de repúdio ao presidente, com exceção de um — Deley.
Os nobres edis fizeram o que nem os mais empedernidos petistas espalhados por governos estaduais no norte e nordeste do país ousaram, contentando-se com protestos via redes sociais e declarações na mídia.
A quem serviu a moção de repúdio? Com absoluta certeza, a ninguém de Jales, que depende grandemente de boas relações com o governo federal já que a capacidade de investimento da administração municipal não passa de 3% segundo o orçamento anual.
Em síntese, ao aprovarem moção de repúdio ao presidente, os vereadores fizeram o que, em linguagem futebolística, pode ser definido como gol contra. E se a comparação for em termos matemáticos, não há como fugir: foi uma conta de soma zero!