Arquibancada

Confusão na final da Taça Guanabara: vergonha para o futebol brasileiro

A final da Taça Guanabara entre Vasco e Fluminense que tinha tudo para ser uma grande partida, com confronto de estilos opostos, se tornou uma vergonha para o futebol brasileiro. Essa é a melhor forma de definir o que ocorreu no último domingo, no Maracanã, antes e durante a vitória de 1 a 0 do Cruz-Maltino, que garantiu o título do primeiro turno do estadual.
Com 100% de aproveitamento na competição, a equipe da colina tinha o direito de ser mandante da partida, ou seja, escolher qual setor do Maracanã seria ocupado por sua torcida. Visitante, o Fluminense ficaria com outro setor do estádio, que não poderia ser o escolhido pelo Vasco.
Apesar disso, um problema cultural se tornou o grande empecilho. Como os clubes historicamente tiveram suas torcidas no setor sul, o Cruz-Maltino, como mandante, se sentiu no direito de vender ingressos para seus torcedores, enquanto o Tricolor, por meio de medida judicial, recebeu a garantia que poderia ocupar o mesmo setor, já que tem contrato assinado com o consórcio que administra o Maracanã.
Com 30 mil ingressos vendidos para os vascaínos, o Fluminense decidiu não comercializar entradas e, na madrugada que antecedeu a partida, outra medida judicial determinou que o jogo seria realizado com portões fechados. 
Em meio a idas e vindas, quem tinha ingresso comprado conseguiu entrar no Maracanã apenas aos 30 minutos do primeiro tempo, enquanto pouco antes o que se via fora do palco da final eram imagens de selvageria, confrontos entre torcedores que queriam entrar no estádio e policiais, ingredientes que tinham tudo para simbolizar uma tragédia.
Fica claro que os principais responsáveis pelo descaso com os apaixonados pelos dois clubes são os dirigentes de Vasco e Fluminense. Em um problema como esse, difícil de encontrar uma solução, o simples deveria ser feito e ambos precisavam ter consciência que o diálogo e o bom senso poderiam resolver a situação.
Infelizmente a vaidade de quem comanda o futebol não é algo exclusivo de cruzmaltinos e tricolores. Em um campeonato com regulamento esdrúxulo, definido pela Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FERJ), é difícil ter esperança que soluções melhores surgissem. O sentimento que fica é o alívio por não ter acontecido nenhuma tragédia com inocentes e a decepção por muitos torcedores que não puderam aproveitar seu domingo assistindo uma final no Maracanã.

Eduardo Martins 
 (jalesense, aluno do 3° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 
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