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CONEXÃO REGIÃO DE JALES-ITÁLIA

Especial
29 de setembro de 2019
O número de brasileiros que conseguiu cidadania italiana aumentou 71% entre 2016 e 2017, ultrapassando o total de cidadanias reconhecidos por Portugal a brasileiros. Segundo dados do Gabinete de Estatísticas da União Européia, foram reconhecidas em 2017, 9.936 cidadanias italianas a brasileiros ante 6.084 títulos potugueses. A Espanha Aparece em terceiro lugar, com 1.294. 
Inserem-se no grupo dos que se tornaram italianos as famílias dos jalesenses Alexandre Alves Rensi e Rozangela Viola Rensi, que dividem a moradia entre Jales e Verona,  e dos uranienses Patrícia Pires da Silva e Welinton Menani Silva , que moram e trabalham na região do Veneto. 

Rensi e Rozângela: prazer de ir e vir

Engenheiro mecânico de formação e empresário, Alexandre Alves Rensi, piracicabano, tornou-se participante ativo da vida comunitária jalesense, inclusive presidindo entidades de classe e associações profissionais. Rozângela, odontóloga de formação, optou pela atuação como empresária do comércio, contribuindo para elevar o nível do chamado segmento fashion. 
Eles vivem entre Jales e Verona, no norte da Itália e, nesta entrevista ao J.J., revelam como tudo começou e como eles estão administrando idas e vindas.

J.J. - Por que vocês resolveram pleitear a cidadania italiana?
Principalmente pelos filhos, o mundo tem se tornado uma aldeia global numa velocidade que quase não conseguimos acompanhar, e uma segunda nacionalidade pode ajudar muito no desenvolvimento profissional e pessoal de cada um. Uma cidadania européia é melhor ainda, já que te habilita a pessoa a morar e trabalhar em 27 países da União Européia.

J.J. - Foi difícil obtê-la?
O reconhecimento da cidadania italiana não é um processo simples.
A lei sobre cidadania Italiana é cheia de meandros, mas o cerne desta lei diz que “é cidadão italiano todo filho de cidadão ou cidadã italianos”, portanto para se buscar este reconhecimento, o postulante deve provar através de certidões de nascimento e casamento esta linha direta de descendência. O que ocorre é que a maioria de nossos imigrantes quando vieram ao Brasil tiveram seus nomes abrasileirados, como de Giuseppe para José, Giacomo para Joaquim, Giovanni para João etc, inclusive com alterações eventuais do próprio sobrenome, além de erros em datas de nascimento/casamento, idade declarada dentre outras, cabendo ao descendente corrigir estas distorções, muitas vezes somente possível por Ação Judicial.
A mesma lei diz que o descendente deve solicitar este reconhecimento no local onde reside, portanto para quem mora aqui no Brasil, tem que ser pedido no consulado italiano respectivo, e infelizmente a demora chega a 12 anos de espera, muitos para abreviar este tempo mudam-se para a Itália, mesmo que temporariamente, e pleiteiam lá a sua cidadania. Existem ainda casos onde se pode acionar o Estado Italiano, através de Ação Civil no Tribunal de Roma, e conseguir este reconhecimento lá, que foi nosso caso.

J.J. - Qual a vantagem da dupla nacionalidade?
Podemos elencar diversas vantagens, por exemplo, uma proteção contra Estados Despóticos, pode parecer surreal, mas pergunte aos Venezuelanos se gostariam de ter a oportunidade de poder viver em outro país. Outra proteção é contra perda de capital em economias que estão nitidamente afundando, ou seja, você pode proteger teu suado capital, mesmo que não seja tanto dinheiro, distribuindo suas aplicações em outro país, se for em Euros ou Dólares melhor ainda, veja recentemente o caso da Argentina, quem lá vive e tem suas reservas pessoais, para aposentadoria por exemplo, sofreu um enorme baque nesta semana com forte desvalorização de todos os ativos por lá.
Outra vantagem é para o desenvolvimento profissional, não no nosso caso, mas dos filhos por exemplo, esta dupla nacionalidade permite que se trabalhe, estude e viva em outros 27 países europeus, abrindo muito o leque de oportunidades para o cidadão, lembrando que são países onde o IDH é elevadíssimo.

J.J. - Por que tem aumentado o número de brasileiros que estão tentando a cidadania italiana?
Não só a Italiana, mas muitos casos da Portuguesa também, cito dois principais motivos, primeiro é a disponibilidade de informações, hoje com a internet é muito mais fácil fazer pesquisas e encontrar suas raízes.
Segundo e principal motivo são as crises nacionais, principalmente as econômicas, dei exemplo de dois países vizinhos ao Brasil, em que o viés  político tem afetado suas economias, complicando a vida de suas populações, o medo do Brasil se tornar uma Venezuela ou uma nova Argentina é que faz as pessoas quererem ter uma segunda opção.

J.J. - Onde vocês estão morando na Itália?
Nos últimos quatro anos conhecemos praticamente toda a Itália, optamos neste momento de ter uma residência em Verona, no norte italiano, é um local muito desenvolvido, com uma bela história, rica em cultura que provê uma excelente qualidade de vida para seus moradores.

J.J. - Vocês pretendem se fixar na Itália ou continuarão morando um tempo lá e outro no Brasil? 
Amamos Jales, nossa vida ultimamente tem sido alternar nossa estada por aqui e lá, o Arthur nosso filho mais novo se fixou em Verona, mas as filhas Ana Alice e Ana Maria estão no Brasil, além do mais temos negócios por aqui, e graças às novas tecnologias é possível acompanhar e administrar tudo à distância, mas o prazer de poder ir para a Itália e poder voltar ao Brasil é para nós o melhor de toda esta história. 

Patrícia e Welinton: integração total

Patrícia Pires da Silva, 36 anos, enfermeira, e Welinton Menani Silva, 49, contador, ambos de Urânia, assim que obtiveram cidadania, decidiram morar na Itália em 2007. .
 Aqui, ela exerceu a profissão em São João das Duas Pontes, Três Fronteiras e no SAMU deJales. Lá, depois de passar por outras instituições, ela tornou-se enfermeira da Casa de Repouso Alessandro Rossi. Ele, que era proprietário de uma empresa de consultoria e assessoria contábil, começou na Itália como soldador em uma empresa metalmecânica de carpintaria pesada e hoje é microempreendedor em empresa de assistência técnica no setor de lavanderia. Além disso, tornou-se sommelier formado pela Fundação Italiana de Sommelier .
Localizados pelo Jornal de Jales, eles falaram sobre a vida na Itália  

J.J. - Por que vocês resolveram pleitear a cidadania italiana?
Patrícia: Sendo casada com italiano e morando no país, também adquiri o direito à cidadania,  o que facilitaria muito a vida por aqui, eliminando a renovação periódica da documentação exigida para estrangeiros morarem e trabalharem no país. 
Welinton: Quando surgiu a oportunidade de trabalho na Itália, visto que sou descendente de italianos comecei a pesquisar e buscar os documentos exigidos, sonhando em conhecer a terra natal dos meus avós, aproveitando para exercer o meu direito. 

J.J. - Foi difícil obtê-la?
Patrícia: Pelo fato de ser casada com um italiano e estar morando na Itália não precisei de tantos documentos, só precisei esperar os prazos legais.
Welinton: Não foi difícil obter a partir do momento em que cheguei na Itália com toda a documentação em mãos. Mas foi muito trabalhoso e custoso. São vários documentos necessários para comprovar o parentesco com o italiano nato. Muitas certidões, traduções, legalizações em consulado, toda uma burocracia que não tem um prazo estimado para se concluir. 

J.J. - Qual a vantagem da dupla nacionalidade?
Todas as facilidades para se viver em um país como cidadão e não como estrangeiro. Como, por exemplo, prestar um concurso público, contratos de trabalho, financiamentos, entre outros. 

J.J. - Por que tem aumentado o número de brasileiros que estão tentando a cidadania italiana?
Acredito que o motivo principal é a grande quantidade de brasileiros que são descendentes de italianos, e pelo fato de a Lei italiana reconhecer o direito à cidadania “jus sanguinis”, sem limite do grau de parentesco, como acontece em outros países, por exemplo Portugal e Espanha. 

J.J. - Onde vocês estão morando na Itália?
No Norte da Itália, região do Veneto. 

J.J. - Vocês desejam continuar na Itália ou pretendem voltar para o Brasil?
Por enquanto, nenhum plano de voltar a morar no Brasil. Nós nos integramos muito bem aqui, fizemos muitos amigos que chamamos de “nossa família italiana”, temos segurança no trabalho, levamos uma vida confortável e tranquila. 

J.J. - Qual é a imagem do Brasil diante dos italianos em particular e dos europeus em geral?
De um povo alegre, festeiro, que aproveita muito a vida à beira mar. Resumindo:carnaval, praia e futebol o ano inteiro. 

J.J. - Valeu a pena trocar de país?
Com certeza.