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Condenados a estudar para sempre

Por Ayne Regina Gonçalves Salviano
10 de março de 2019
Ayne Regina Gonçalves Salviano
Recentemente, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi pego em uma mentira. Ele estava usando o título de mestre em Direito Público pela universidade de Yale, uma das mais conceituadas dos Estados Unidos, mas aquela instituição confirmou à mídia brasileira que ele nunca estudou lá.
Antes dele, Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, também mentiu. Em várias palestras e pregações, ela também é pastora, afirmava ser mestre em Educação, Direito Constitucional e Direito de Família. Pressionada pela imprensa, explicou que se autodenominava mestre baseada em um trecho da Bíblia (Efésios 4:11): “E Ele designou alguns para...pastores e mestres”. 
Dilma Rousseff também mentiu. Quando era ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, em 2009, afirmava ter mestrado e doutorado pela Unicamp, fato desmentido rapidamente pela universidade. Outros integrantes de outros governos também mentiram sobre suas formações. Por que?
Minha tese: Hoje, o valor de uma pessoa muitas vezes é medido pelo quanto ela produz. Para produzir, ela precisa estar no mercado de trabalho. E para se manter empregado ou como empreendedor em uma economia oscilante como a brasileira, é preciso muito conhecimento. Daí ser uma máxima entre as instituições que a pessoa melhor capacitada merece (por meritocracia) os postos de destaque e liderança. Subliminarmente, quem não tem tanto conhecimento, não mereceria o topo. Daí a necessidade dos títulos ou de se mentir sobre eles.
Sabe-se, atualmente, que a graduação não é o fim, mas um começo. Depois dela, quem quiser ser bem sucedido precisa se especializar, fazer cursos de extensão, pós-graduação, mestrado, doutorado, MBA. A boa notícia é que com as novas tecnologias, estes estudos podem ser feitos sem grandes deslocamentos nem custos. A verdade é que quem está no mercado de trabalho ou pretende entrar nele já está condenado a estudar para sempre.

Ayne Regina Gonçalves Salviano
(é jornalista e professora. Mestre em Comunicação e Semiótica com MBA Internacional em Gestão Executiva. É co-leader da Damásio Educacional Araçatuba)