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Compromisso com o trabalho: o caminho para a excelência

por Sílvio Luiz Lofego
08 de abril de 2018
Sílvio Luiz Lofego
Em meio às especulações da vida contemporânea e às incertezas que dela decorrem, não há dúvida de que o trabalho sério e comprometido com a qualidade é a melhor resposta para as incertezas meramente especulativas. Muito embora, num mundo atravessado pelo imediatismo e pautado na superficialidade da aparência, realizar um trabalho sólido e duradouro é praticamente um oásis. Desse modo, apesar da fugacidade desses tempos de pós-modernidade, fazer desse oásis o sentido de uma vida profissional é o diferencial capaz produzir grandes tesouros. 
Ter como perspectiva de vida um princípio ético e comprometido com a excelência não é fácil, mas importante, uma vez que ele nos distancia das excrescências e inutilidades existenciais. Não se trata de apontar onde está o certo ou o errado, contudo de fazer emergir com dedicação e vontade o caminho para a superação das dificuldade e limitações, proporcionando um consequente crescimento em todos os sentidos.
Dessa forma, o crescimento se faz com sabedoria e esta é forjada no enfrentamento das nossas fragilidades e da nossa disposição ao trabalho árduo e silencioso, muitas vezes até incompreensível. A história é a prova de que nenhum avanço que tenha beneficiado a humanidade nasceu do efêmero, ao contrário, toda Revolução teve por trás um longo e penoso processo. No labor acadêmico, nenhum conceito se sustenta por meio de frases de efeito ou pela miragem enganosa das circunstâncias. Em tudo, é fundamental, tempo, paciência e persistência. Estes são os ingredientes que juntos podem produzir grandes transformações. 
Nesse sentido, o trabalho correto, focado e determinado sempre terá a capacidade de calar os gritos da crítica incompreensível. Evidentemente que o silêncio nem sempre é uma opção para responder ao grito da crítica, mas a uma necessidade. Pois é sabido que o tempo é precioso e não pode se dar ao luxo do desperdiço com aquilo que se revela em essência ser inútil e, não raras vezes, apenas ancorado no vazio do ego. No trabalho intelectual o silêncio é reflexão e, por sua vez, a luz sobre a natureza sombria das impurezas da humanidade. Deixar o barulho do lado fora é fundamental. O desespero na turbulência não vai mudar o pouso do avião.
Essa é uma realidade que vivenciamos na universidade nos dias de hoje, onde, não raras vezes, a loucura do imediatismo ocupou o lugar da excelência. Se vociferam egos de um jogo insano que nem sempre nos conduz a descobertas favoráveis ao nosso bem-estar. Mas ao contrário, constroem-se muros grafitados pela própria caricatura. Reflexo de um mundo cada vez compartimentado pela cegueira do egocentrismo. Cabe ao trabalhador intelectual, a paciente tarefa de derrubar tais muros. E quantos mais se juntarem nessa tarefa, mais largo será o nosso horizonte, maior será nosso campo de visão.
A X Jornada de Iniciação Científica da UNIJALES, realizada no final de 2017, destacou o impressionante crescimento do volume de publicações acadêmicas dos últimos anos, no entanto, a relevância desse volume, segundo centros internacionais que medem a qualidade da produção científica, equivale ao que tínhamos no final do século XX, quando o volume era bem menor. Portanto, produzir trabalhos de relevância, além de árduo e penoso é preciso tempo para que a qualidade desejada seja alcançada. 
A Jornada de Iniciação Científica da UNIJALES é um exemplo disso, vinculada ao PIC, a Jornada se constituiu numa ação fundamental de fomento a cultura da produção acadêmica. Essa experiência agora avança com a implantação do Núcleo de Estudos Acadêmicos que visa estimular a produção científica de qualidade por meio da estruturação das linhas de pesquisa e organização dos grupos de estudos.
Assim, mesmo diante das adversidades e turbulências, com trabalho persistente e compromissado podemos avançar, cujo resultado vai se construindo pela soma de esforços. Desta feita, o resultado do trabalho intelectual deve produzir um mundo melhor para todos, apesar de muitas vezes invisível, silencioso e sujeito a incompreensões, mas é para esse fim que ele existe.

Prof. Dr. Sílvio Luiz Lofego
(Vice-Reitor Acadêmico da UNIJALES)