VESTIBULARES

Comentários sobre o ENEM 2019

Após a angústia e a apreensão para a primeira grande prova do ano, passado alguns dias de reflexões depois de leituras e releituras das questões, temos condições de precisar algumas conclusões sobre o Enem deste ano. 
A primeira conclusão que chegamos é que a prova não mudou. Ele continua com seu jeito e perfil crítico, abordando conceitos amplos e exigindo do estudante um elevado grau de conhecimento escolar. Aquele aluno que se debruçou nos estudos e ficou atento nas dicas e aulas foi o que se deu bem. 
A prova também continuou privilegiando textos e muita atenção dos alunos na sua leitura. Qualquer descuido ou desatenção poderia custar caro no cômputo final de acertos. Notou-se ainda que os temas abordados estão dentro da pauta de discussão atual. Tolerância religiosa, comunidades quilombolas, terras indígenas, globalização e qualificação profissional foram alguns itens que surgiram e foram muito bem trabalhados por questões ricas em conteúdo e conceito.
Outro detalhe relevante é o modelo da prova que é dividido em blocos e não em disciplinas. Muitos alunos e alunas questionaram o fato de não enxergar puramente história ou geografia numa questão. Como a gente sempre alerta, o Enem não é um vestibular tradicional, mas uma prova que avalia o nível de competências e habilidades do estudante de ensino médio. Logo, as questões abordadas tentam fugir das caixinhas específicas de cada matéria e procura entrelaçar diversos assuntos das ciências humanas. Sendo assim, mesmo uma questão sendo de geografia pode trazer consigo elementos de história, filosofia ou sociologia. 
Outra observação que a grande imprensa fez é que alguns temas que normalmente apareceram em exames anteriores ficaram de fora em 2019. Os mais citados nesta situação foram a ditadura militar e a Era Vargas. Já expus minha opinião política aqui algumas vezes e, por isso, me sinto a vontade para fazer um comentário sobre esse ponto: o conteúdo programático é extenso e, apesar de serem temas pertinentes, não tem obrigatoriedade de estar em todos os exames. Outros temas polêmicos e relevantes apareceram e a ausência de um ou outro não depreciou a qualidade da prova.
Em Geografia, especialmente, vários conceitos foram muito bem abordados. Os textos eram claros, com temáticas atuais e abordagens bem trabalhadas. As alternativas eram curtas e claras. O único ponto a ser evidenciado como negativo foi a pouca exploração de gráficos, imagens e tabelas. Mas, não comprometeu a qualidade da prova.
Dessa forma, podemos assegurar que este ano o Enem seguiu sua tendência crítica e exigindo um alto nível de capacidade do aluno. A Geografia foi muito bem trabalhada e esteve mais ampla e contemplativa que no ano anterior, mantendo o nível de criticidade em temas como a questão ambiental, geopolítica, globalização, demografia, clima, vegetação, comunidades tradicionais, entre outros. 
Ao INEP, parabéns!

 Eduardo Britto 
(Professor de Geografia do Colégio e Curso Objetivo de São Paulo, graduado pela UNESP, especialista em Gestão Ambiental pela UFSCAR e Mestre em Ensino de Ciências 
pela UFMS)
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