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Com jeito vai

Editorial
02 de junho de 2019
Um atento observador da cena política local, do alto da experiência de quem circula com desenvoltura nos bastidores, costuma dizer, com uma certa dose de humor mesclada com fina ironia, que vereadores, de maneira geral, são seres carentes.
Se durante a campanha, talvez ignorando os limites de até onde o mandato de vereador pode chegar, os candidatos a uma vaga na Câmara Municipal, prometem terreno na lua, depois de eleitos e empossados, cai a ficha e começa a choradeira. 
Alguns mais jeitosos até tentam algum atalho e passam a bater ponto na antessala dos gabinetes dos prefeitos fazendo fila similar ao que se via no quadro Porta da Esperança, do programa Sílvio Santos, à espera de algum milagre.
Outros menos pacientes, julgando-se desatendidos pelos prefeitos, optam pelo caminho da oposição rasgada, na base do tudo ou nada, colocando em prática a máxima futebolística segundo a qual, “perdido por um, perdido por mil”. 
Na verdade, sempre foi assim em Jales como de resto em todo o Brasil. Resta a pergunta: o que fazer para acalmar os ânimos e saciar o apetite dos nobres edis?
Só para que os leitores tenham uma ideia, do início de fevereiro, quando começou o terceiro ano da atual legislatura, até anteontem, 31 de maio, os 10 vereadores de Jales já tinham apresentado em torno de 300 Indicações ao Poder Executivo.  
Indicações, para os poucos que não sabem, são dispositivos previstos no Regimento Interno de todas as Câmaras Municipais mediante os quais os vereadores encaminham pedidos aos prefeitos para pequenas obras. 
Embora o valor das demandas seja relativamente baixo, o cobertor é curto. Em Jales, por exemplo, apesar do aumento de 24% do IPTU em 2018 e da Atualização da Plana Genérica de Valores, a capacidade de investimento não ultrapassa 3%.
Sob este aspecto, os vereadores de Fernandópolis encontraram um jeito criativo de agradar os eleitores independentemente da vontade do prefeito.
No ano passado, por iniciativa do vereador João Pedro Siqueira (PTB), a Câmara Municipal aprovou projeto de lei criando as chamadas emendas impositivas, nos mesmos moldes da legislação que já existe na Câmara Federal e Senado, em Brasília, e na Assembleia Legislativa, em São Paulo
De acordo com o projeto aprovado, ficam reservados no orçamento municipal R$ 1 milhão e 800 mil para as emendas impositivas, dinheiro oriundo da reserva de contingência.
O prefeito André Pessuto (DEM) até tentou vetar o projeto, mas tomou uma goleada. O veto foi derrubado por unanimidade.
Vale lembrar que 50% da cota de cada vereador deverá ser obrigatoriamente destinada à área de saúde. Como o que é bom merece ser copiado seria interessante que a solução encontrada em Fernandópolis para que cada vereador tenha seu momento de prefeito seja adaptada para os padrões e valores do orçamento anual de Jales.

***O Editorial reflete a opinião deste jornal***