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Com a faca e o queijo

Editorial
04 de novembro de 2018
“Se nada aconteceu de extraordinário nas últimas 48 horas como, por exemplo, o candidato ter sido flagrado espancando algum velhinho no meio da rua, o deputado federal Jair Messias Bolsonaro (PSL) deverá ser eleito hoje, 28 de outubro, em 2º turno, presidente da República”.
Como o capitão reformado do Exército, embora tivesse cometido vários excessos verbais na reta final, não espancou nenhum velhinho no meio da rua, deu a lógica. Ele saiu da urna eletrônica consagrado por 57.797.847 brasileiros (55, 13%.dos votos válidos), derrotando seu oponente no 2º turno, o professor universitário ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), que chegou a 47.040.906 (44% dos válidos).
Em Jales, deu goleada novamente. Bolsonaro teve 19.587 votos (77,48% dos válidos) e Haddad apenas 5.694 (22,52%).
Conforme previu este espaço ancorado em pesquisas dos mais variados institutos, a disputa pelo governo estadual no 2º turno realmente foi decidida no olho mecânico. 
João Dória (PSDB), ex-prefeito de São Paulo, conquistou 10.990.160 votos (51,75%) e o governador Márcio França (PSB) mordeu seus calcanhares  com 10.248.653 (48,25%).
Em Jales, também deu Dória, mas por uma margem maior. Ele teve 13.578 (57,15%) contra 10.182 (42,86%) de Márcio França.
Na edição passada, este editorial também perguntou: respeitadas as preferências de cada eleitor, o que seria melhor para os interesses políticos de Jales? 
No parágrafo seguinte, uma afirmação: para a maioria, a resposta parece óbvia: Dória. Nem tanto por ele, mas pelo seu vice Rodrigo Garcia (DEM), deputado federal mais votado em Jales em 2014, a maior da história, com 11.800 votos, e padrinho político do atual prefeito Flá.
Pois bem, lacrada a urna eletrônica e proclamado o resultado oficial no Estado de São Paulo, verificou-se que, salvo excesso de otimismo, a administração Flá-Garça vai nadar de braçada nos próximos dois anos e dois meses.
O deputado federal mais votado em Jales há quatro anos não somente se elegeu vice-governador como foi designado pelo governador eleito João Dória para comandar o processo de transição do atual para o novo governo.
Tal informação foi dada pelo próprio Dória em entrevistas concedidas à imprensa no dia seguinte à vitória tendo ao lado o ungido Rodrigo.
Na verdade, a aproximação entre políticos de Jales e governadores não é tão nova assim. Nos anos 70, José Antônio Caparroz manteve ótimo relacionamento com os ex-governadores Paulo Egydio Martins e Paulo Maluf. Nos anos 80, Valentim Paulo Viola e o governador Orestes Quércia chegaram a se tornar até compadres.Mas, não foi nada parecido com o caso que une o atual prefeito de Jales ao homem forte da futura administração estadual . Ambos são carne-e-unha.
Resumo da ópera: Flá, que passou para a história como o único político de Jales a chegar à Prefeitura sem adversário (candidatura única), em 2016, está com a faca e o queijo na mão para deixar a cadeira de prefeito, em 2020, nos braços do povo. Literalmente.