Arquibancada

Cobranças natalinas

Entre os doze grandes do futebol brasileiro, o Palmeiras é, hoje, o terceiro amais tempo na fila por um título da Série A. São 21 anos, desde 1994, ficando atrás apenas de Atlético/MG (45 anos) e Internacional (35). Para tentar acabar com o incômodo jejum e com as piadas, o Verdão vem forte e preparado. Muito mais do que nos últimos anos, quando foi bi rebaixado (2002 e 2012) e quando escapou da segunda divisão na última rodada (2014). Eliminado precocemente na Libertadores e nas semifinais do Campeonato Paulista, Cuca teve três semanas – ou melhor, uma “mini pré-temporada” – para se preparar exclusivamente para o Brasileirão e adquirir maior qualidade técnica e tática.
Nesse período inativo, ainda, Paulo Nobre continuou investindo. O Alviverde se reforçou com peças importantes. Para a defesa, o clube trouxe o bom zagueiro colombiano Yerry Mina, ex-Independiente Santa Fé, além dos laterais Fabiano e Fabrício, envolvidos numa troca por Lucas e Robinho com o Cruzeiro. No meio campo, Cleiton Xavier, presente nas três primeiras partidas do Brasileiro, atuou bem. Quem também chegou foi o polivalente Tchê Tchê, um dos destaques do Osasco Audax no Estadual.
A melhora é evidente. Por conta do elenco numeroso e qualificado, o Palmeiras apresenta grande variação tática. Quando o time é bem marcado, o treinador tem a alternativa de alterar o esquema: ora três atacantes leves, de movimentação, pelas pontas, ora com uma referência, como Alecsandro e Lucas Barrios, para segurar a bola e esperar a ultrapassagem dos rápidos atacantes. Roger Guedes, Gabriel Jesus e Dudu são três boas opções. O primeiro, aliás, contratado junto ao Criciúma, aparenta ser titular incontestável, pelo menos, por enquanto.
Entretanto, para que essas mudanças sejam feitas, é preciso muito treino, detalhar o posicionamento de cada atleta, ensaiar movimentos e ter um plano B/C. Isso, pelo menos, é bem treinado pelo Verdão, que se utiliza dessa façanha.
O torneio nacional é longo. Logo chega o período de transferências internacionais e, consequentemente, o assédio aos palmeirenses. Começando por Gabriel Jesus, alvo do Juventus (ITA), convocações para Seleções, Jogos Olímpicos, suspensões e lesões. Os elencos podem – e devem – mudar, fazendo com que seja quase impossível cravar um grande favorito à taça.
Acredito que o Palmeiras chegue, no mínimo, para brigar pelo G4.Tem um estádio dos mais modernos do mundo, com uma energia diferente. Um elenco que oferece muitas opções para montar o time titular de diversas maneiras, de acordo com o adversário. Um treinador que, apesar da fama de pé frio, tem uma visão de futebol ofensiva e que respeita a história do clube, que, inclusive, já foi chamado de Academia, nos anos 60, com Ademir da Guia, Dudu, Djalma Santos, Luís Pereira e companhia.
Vai ser duro, também, ganhar do Verdão no Allianz Parque.Em uma competição em que vencer em casa é fundamental, esse fator deve fazer a diferença. Mas também é preciso ser mais produtivo e eficiente fora de São Paulo para que o sonho do título se torne real.
Este é o Palmeiras, mais inovador com Cuca.Podem me cobrar em dezembro!

Lucas Colombo Rossafa 
(jalesense, aluno do 2°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 

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