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Cidadania na prática

Editorial
25 de março de 2018
Desde que Pedro Álvares Cabral aportou com suas caravelas em uma terra chamada Brasil, em 1500, falar mal de políticos tornou-se um esporte nacional.
Por tudo e por nada, o bicho pega e tome chicote no lombo dos detentores de mandatos, especialmente dos que foram eleitos para cargos no Poder Executivo, aí incluídos desde o presidente da República, passando também por governadores e prefeitos.
Da boca do povo não escapam nem mesmo os vereadores, que são os agentes políticos mais próximos da população e, portanto, fáceis de serem   encontrados, inclusive porque quase todos os reclamantes sabem até onde moram e muitos não hesitam em bater à porta deles, pouco se importando se é meio dia ou meia noite 
Reconheça-se que boa parte dos que conquistaram mandatos nas urnas fazem por merecer a reprimenda do distinto público porque não cumprem o que prometeram em campanha e dão de ombros quando são cobrados.  
Para infortúnio deles, se antes o falatório se limitava aos botequins nos finais de tarde, o panorama mudou desde o advento da internet, com o uso implacável (e, às vezes, irresponsável) das chamadas redes sociais. 
É só clicar o Facebook, Instagram ou entrar nos grupos de WhatsApp para que seja desencadeado o festival de desaforos. 
Mas, também tem o outro lado da moeda. Muitos que vociferam nas redes sociais não fazem o dever de casa, limitando-se “a jogar pedra na Geni”, como ironizou Chico Buarque de Hollanda nos anos 80.
Não é preciso ir muito longe para verificar que parte dos “bocas-de-lobo” comportam-se, como diz o ditado, como “São Braz, aquele que prega e não faz”. Foi notícia neste jornal e na mídia falada da cidade que a Prefeitura já notificou mais de 200 proprietários de lotes no perímetro urbano, que mais parecem pardieiros, tal o nível de descompromisso não somente com a cidade, mas principalmente com os vizinhos. 
Entretanto, há o outro lado, o de gente que age como cidadão responsável. É o caso do empresário Fábio Amadeu, dono da Bandeirantes Empreendimentos, que construiu o Edifício Murano, no cruzamento da Rua 17 com a 6. 
A história foi contada por alguém insuspeito, o engenheiro Nilton Suetugo, secretário Municipal de Planejamento, considerado linha dura.
Em post em sua página no Face, dia 21, Niltinho destacou a atitude de Fábio que, antes de concluir a obra, foi se informar na Prefeitura sobre a obrigatoriedade ou não de implantar na calçada o piso petit-pavet com mosaico Copacabana.
O episódio é emblemático, pois mostra que cidadania não se exerce da boca para fora, mas praticando e dando exemplo.