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Celular para a gurizada: a partir de que idade?

por Rodrigo Bordin
29 de abril de 2018
Rodrigo Martins Bordin
Há tempos que nossa sociedade vem passando por transformações, principalmente, no que tange a ciência e tecnologia.  Analiso aqui minhas proposições nesta última. Recordo-me com certa clareza momentos que vivenciei belos dias de minha adolescência sem a necessidade da utilização da inesgotável fonte de recursos tecnológicos que nos rodeiam atualmente. Bons tempos aqueles em que a diversão e descontração se mostravam de fato humanizadoras. Neste sentido, percebo uma crescente desumanização nas relações interpessoais movida pela utilização de um aparelho elementar:  o celular. 
Sabe-se que a primeira infância é uma etapa crucial para a formação da pessoa. Nela, insere-se muito de nossas condutas que se expressarão na vida adulta tais como: habilidade de controlar a própria atenção a concentração e o foco, entretanto, percebe-se que as crianças atuais usam os recursos tecnológicos demasiadamente o que acarreta sérios problemas de saúde. 
Um deles é o isolamento social. Crianças conectadas convivem menos com a família e os amigos. Não é raro ver famílias almoçando em restaurantes e os filhos de olho ora no prato ora no celular e, o pior, os pais tendo as mesmas atitudes. Antigamente, educava-se com afinco, hoje basta ligar os dados móveis ou o wifi. 
Estudos evidenciam que a superexposição a eletrônicos pode não ser benéfica pois limita os estímulos do ambiente e, portanto, torna a criança mais propensa a transtornos como déficit de atenção, além disso problemas de aprendizagem, e distúrbios emocionais como depressão infantil e ansiedade também podem surgir. 
Sendo assim, o ideal seria a criança ter um celular a partir dos 12 anos, entretanto isso não quer dizer que crianças com 6, 7 ou 8 anos não tenham habilidades com o aparelho e que não possam utiliza-lo em atividades de lazer ou aprendizagem. Todavia, para ter o próprio aparelho eletrônico, com conexão à web e autonomia de uso, é fundamental ter a suficiente maturidade intelectual e emocional. O entrave não é a tecnologia que, em si, tem seus aspectos positivos e negativos, mas sim o risco de que a internet se torne o único ambiente a partir do qual se nota o mundo. Moderação e monitoramento são fundamentais.

Rodrigo Martins Bordin  
(é formado em Letras e Pedagogia. É pós-graduado em docência do ensino superior e atualmente é docente efetivo na secretaria de educação do estado de São Paulo)