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Casos de estupros contra menores quase dobra em um ano em Jales, revela delegada

por Luiz Ramires
16 de junho de 2019
Delegada Letícia: é preciso ficar atento ao comportamento da criança, inclusive na internet
Os casos de estupro contra crianças e adolescentes têm aumentado muito nos últimos anos em Jales, passando de 10 em 17 para 18 e 2018, sendo que as estimativas iniciais para 2019 caminham na mesma proporção, segundo informou a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher, Maria Letícia Camargo
Embora os registros sejam somente de casos de estupros, também se percebe um aumento, na mesma proporção, de outros tipos de violência contra menores que podem até nem ser físicos, mas pela internet, que também tem acontecido muito, segundo a delegada. Ela explicou que nos anos anteriores os casos já vinham aumentando, mas em proporções bem menores. Uma das explicações é que o aumento pode nem ter sido tão grande, mas estão aparecendo mais, certamente por causa das campanhas e das denúncias que tem sido bem maior. 
A Delegacia de Defesa da Mulher apresenta esses números porque recebe não só denúncias de violência contra as mulheres, mas também esses casos de violência contra menores. Para esse trabalho conta com uma rede de apoio formada por entidades como o CREAS e o CRAS, com quem a delegada tem feito reuniões para desenvolver um trabalho junto às famílias, para oferecer orientações e procurar a recuperação e integração de seus membros, tentando com isso, reduzir os casos de violência.

CREAS
O CREAS tem distribuído panfletos na delegacias, na Polícia Militar e em outros locais informando sobre essa rede de apoio e orientando como as vítimas da violência devem proceder, para que possam se libertar dessa condição opressora.
O que muitas vezes acontece, principalmente em relação aos crimes de violência contra as crianças é os adolescentes é que a denúncia normalmente demora para ser feita. Isso porque na grande maioria das vezes essas agressões são praticadas por pessoas próximas das vítimas e até pelos próprios pais como tem acontecido com certa frequência.
A orientação da delegada para os pais e as pessoas que convivem com a criança é que observem seu comportamento, se há mudanças de humor, se ela se tornou mais agressiva, pois nesse caso ela pode estar reproduzindo algum comportamento que vivenciou.
A conversa e a proximidade com a criança, segundo a delegada, é fundamental para que possa se estabelecer uma confiança que permite expor o que está acontecendo, pois o crime sexual é muito silencioso, a criança tem medo de denunciar e muitas vezes nem sabe que esse tipo de comportamento é crime. A delegada esclarece que não se pretende com isso gerar uma situação de pânico, mas de ficar atento.

INTERNET
Oura reocupação dos pais ou responsáveis deve ser com o comportamento da criança na internet. É preciso ficar muito atento, observando se ela fica muito tempo conectada, não deixa ver o que está acessando ou se passa a ter comportamentos estranhos. Ela lembra o caso de um rapaz que foi preso do ano passado, depois de um trabalho de investigação de dois meses que conseguiu chegar até o mesmo que aliciava menores pelo WhatsApp entrando nos grupos e identificando os menores pelas fotos para entrar em contato com os mesmos.

Ao contrário do que muita gente pensa, hoje existem muitos meios de se investigar e chegar às pessoas que praticam crimes pela internet.
No caso dos pais ou responsáveis, é preciso atenção para não ficar pressionando a criança, mas manter muita atenção e procurar sempre o diálogo que é o mais importante nesses casos, para que a criança possa dizer o que está acontecendo.

MULHER
No caso da violência contra a mulher, a delegada disse que os mesmos também vêm aumentando, apesar do maior rigor na lei contra esses crimes, aprovada recentemente. Depois da aprovação da lei, os casos começam a diminuir, mas ainda acontecem. Com a nova lei o descumprimento da medida protetiva é considerado crime autônomo inafiançável.
O que se percebe, segundo a delegada, são muitos casos reincidentes, com as mesmas vitimas e os mesmos agressores. Por isso é importante o trabalho realizado com os dois para procurar reduzir o número de agressões, não só físicas, como psicológicas. A mulher muitas vezes é agredida verbalmente durante muito tempo e nem percebe, até que acaba sendo agredida fisicamente.
A delegada espera que a mudança na lei contribua para que realmente haja uma redução nos casos de violência contra a mulher e que essa passe a denunciar sempre que se sentir violentada ou ameaçada. A denúncia também pode ser feita por um vizinho ou por alguém que presencie a violência, pois muitas vezes a mulher tem medo de denunciar de depois ser novamente agredida.
O plantão policial funciona 24 horas e qualquer pessoa pode apresentar sua denúncia para a delegada ou por outro delegado que estiver em seu lugar.