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Cardiologista admite que teatro o auxilia a ser mais suave

LUZES DA RIBALTA
15 de abril de 2018
Manoel Paz Landim, além da clínica em Jales, é professor universitário em São José do Rio Preto
Os amigos pessoais e colegas de profissão do cardiologista Manoel Ildefonso Paz Landim, 52 anos, ficaram surpresos quando souberam que  ele tinha feito inscrição para cursar a Escola Livre de Teatro, referência em artes cênicas em todo noroeste paulista. A surpresa foi maior ainda quando, lendo o Jornal de Jales e assistindo ao programa “Bem na Hora”, da TVI-Araçatuba, repetidora do SBT, descobriram que ele faria sua estreia no teatro, atuando na peça “Gota d’Água”, de Chico Buarque de Hollanda.  A surpresa tinha razão de ser porque o currículo de Manoel como médico é robusto. Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense, tem título de Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia/Associação Médica Brasileira, Mestre em Medicina pela Famerp-São José do Rio Preto, Cardiologista/Preceptor do Ambulatório de Hipertensão Arterial do do Departamento de Clínica Médica da Famerp e professor da disciplina de Simulação Realística da Faceres, também de Rio Preto e doutorando do Departamento de Clínica Médica da Famerp.. Ao mesmo tempo, dá expediente diário na clínica que leva seu nome e já foi presidente da Associação Paulista de Medicina-regional de Jales.
Pelo inusitado da situação e porque Manoel faz parte de uma família de pioneiros, que chegaram em Jales nos primórdios da cidade, o J.J. aproveita este caderno especial do 77º aniversário de Jales para saber tudo sobre sua incursão pelas artes cênicas...(D.R.J.)

J. J. - Desde quando o senhor se interessou pelas artes cênicas?
Manoel - O caminho foi aplainado pela música e pela literatura, minhas paixões mais antigas. Percebi que meus ídolos na voz eram os que melhor dominavam a interpretação da poesia existente na música. Daí para o despertar cênico foi um pequeno passo, ainda que eu não domine o canto, apesar de todos os esforços do meu professor, Maestro Hélio Nunes.

J. J. - Foi difícil estabelecer relacionamento com jovens de outras gerações? 
Manoel - Difícil, talvez, fosse não me relacionar bem com os colegas que não enxergam limite quando o assunto é representar a vida e as emoções  de outras pessoas. Na rua somos diferenciados por gênero, por características físicas ou preferências. No palco, porém, o único elemento que nos separa são as cortinas. Quando atuamos somos o mundo reunido numa fala ou numa expressão. 

J. J. - Consultório médico e palco de teatro têm alguma coisa em comum?
Manoel - Não só o consultório. Tanto que, na faculdade, sou professor de uma disciplina que estabelece a simulação da realidade médica como preparação dos alunos para as atividades práticas. É o teatro a serviço da formação de futuros médicos. Usamos manequins ou atores, tanto na FACERES como na FAMERP, reproduzindo casos clínicos reais de modo a preparar os alunos para atuarem no campo real. Há um axioma muito antigo que apregoa que cada profissional só estará realmente desempenhando suas funções quando estiver dentro de seu papel.

J. J. - Em que medida o teatro tem contribuído para melhorar seu trabalho como médico?
Manoel - Além de desenvolver minha sensibilidade, de modo a me aproximar verdadeiramente das pessoas que me procuram, também me auxilia ser mais suave. Ao informar um fato desagradável eu posso, então, fazê-lo de duas maneiras: distante, frio e impessoal, ou com companheirismo, emoção e participação. Aprendi a preferir essa segunda forma. Desconheço a existência de algum ator que tenha deixado de passar uma emoção em cena alegando cansaço ou desgaste físico, mas conheço inúmeros médicos assim não agem. 

J. J. - Os artistas dizem que antes de toda estreia sentem um friozinho na barriga. O senhor também sentiu?
Manoel - Eu sou muito metido e exibido para me deixar intimidar (risos)

J. J. - Na Escola Livre de Teatro, além do senhor, existem outros profissionais liberais?
Manoel - Na ELITE de Jales não, mas – olhando para um universo mais abrangente – lembremos do advogado Paulo Autran, dos médicos Sérgio Brito e Max Nunes (este, cardiologista) e das médicas Cininha de Paula e Zezé Polessa. Na literatura o grande Pedro Nava, na dramaturgia Doc Comparato e na direção Fernando Torres. Na medicina temos um grande trunfo, que é o estudo da anatomia, a nos permitir entender os mecanismos da expressão corporal e da psiquiatria, que nos faculta entender certos contornos psicológicos.