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Campo minado

Editorial
14 de janeiro de 2018
Os jalesenses que assistem aos programas jornalísticos da TV TEM, afiliada regional da Rede Globo, bem como internautas de todas as redes sociais e ouvintes das rádios locais, viram ou ouviram falar do caso de carro de passeio encravado em buraco aberto pelas chuvas em pleno solo asfáltico no Jardim São Judas Tadeu.
Não foi o único caso. Na zona rural, por exemplo, a ponte sobre o Córrego da Roça, que liga Jales e Vitória Brasil por terra, rodou, obrigando os moradores dos sítios e fazendas a recorrer à rodovia Elieser Magalhães para chegar ou sair das duas cidades.
Mas, tais fatos não chegam a surpreender.  Marco Antonio Fonseca Conceição, pesquisador da Embrapa-Jales e colaborador habitual do Jornal de Jales, revelou na edição de domingo, 7 de janeiro, que 2017 foi o ano que mais choveu na história de Jales, conforme registros comparativos desde 1995, quando a instituição  se instalou em nossa cidade. 
De acordo com dados levantados na Estação Meteorológica da Embrapa, no Córrego da Barra Bonita, o total de chuvas acumulado durante o ano de 2017 foi de 1781 milímetros, índice 35% superior à média anual, que é de 1313 milímetros.  
Conforme revelou o pesquisador, os dados da Embrapa coincidem com os do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), autarquia estadual que mede o volume de chuvas desde 1960.
Outra informação relevante do levantamento da Embrapa é que o mês mais chuvoso foi exatamente o de dezembro (205 milímetros). Só no dia 31 de dezembro foram registrados 100 milímetros.
Assim, é até natural que as vias urbanas e as estradas rurais sofram as consequências de tanta água, mas também não é menos verdade que o volume de chuvas serviu para escancarar as vísceras de uma estrutura envelhecida e apodrecida.
Por exemplo, em relação à tubulação nas vias públicas, há instalações que remontam ainda ao início dos anos 90 e que, portanto, não suportam o volume d’água, o que resulta em crateras no asfalto, como o do carro atolado , e em danos ao patrimônio dos moradores. 
Por conta disso, mesmo entendendo que a chuvarada do ano passado foi bem acima do normal, a população reclama  transformando os corredores da prefeitura e secretarias municipais em um verdadeiro muro de lamentações. 
O mais preocupante é que não se vislumbra solução a curto prazo. As tentativas de minimizar os problemas com operações tipo tapa-buracos são como enxugar gelo — resolvem momentaneamente, mas, com chuva mais forte, volta tudo a estaca zero, reforçando a imagem de que os jalesenses vivem sobre um campo minado.
Espera-se que os atuais gestores do município consigam viabilizar os recursos necessários para, a exemplo do que aconteceu com o processo de recapeamento, a população sofra menos.