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Câmara institui 10 de setembro como Dia de Prevenção ao Suicídio

por Luiz Ramires
11 de agosto de 2019
O dia 10 de setembro fica instituído como sendo o Dia Municipal de Conscientização e Prevenção ao Suicídio e Valorização da Vida, passando a fazer parte do calendário de atividades do município, tendo como símbolo a cor amarela. É o que determina o projeto de lei aprovada na última sessão ordinária da Câmara, no dia 5 de agosto. 
O projeto tem como objetivos estimular ações educativas e preventivas visando diagnosticar pretensos suicidas, promover atividades de apoio às pessoas com distúrbios emocionais ou mentais, incentivar a criação de canais de atendimento pessoal às pessoas diagnosticadas com distúrbios, desenvolvendo estratégias de proteção à vida em todos os sentidos, com ampla divulgação nos meios de comunicações alcançáveis, além de propor e executar projetos que organizem rede de atenção e intervenção nos casos de tentativa de suicídio, promovendo intercâmbio entre o SUS e a sociedade civil organizada, envolvendo sociedades empresariais e organizações de apoio à causa.
Diz ainda a nova lei que o Poder Público Municipal poderá, individualmente ou em conjunto com outras instituições públicas ou privadas, no âmbito de suas competências, realizar ou promover atividades que estimulem a discussão, reflexão, conscientização, alerta e divulgação de dados sobre o suicídio, procurando valorizar a vida e debates sobre a disseminação, controle e medidas preventivas contra a doença.
DADOS ALARMANTES
O autor do projeto, vereador Luiz Henrique Viotto (PP) justifica informando que a cada 40 segundos alguém no mundo interrompe a própria vida. O Brasil registrou 11.433 mortes por suicídio em 2016 – em média, um caso a cada 46 minutos. O número representa um crescimento de 2,3% em relação ao ano anterior, quando 11.178 pessoas tiraram a própria vida. Em 2016, ainda pelos dados do Ministério da Saúde, registrou-se o percentual de 5,8% de suicídios por cada 10.000 habitantes, o que é muito elevado.
A Organização Mundial de Saúde pesquisou 15.629 casos e constatou que 35,8% das vítimas tinham transtorno de humor; 22,4% eram dependentes químicas; 10,6% tinham esquizofrenia; 11,6%, transtorno de personalidade; 6,1%, transtorno de ansiedade; 1%, transtorno mental orgânico (disfunção cerebral permanente ou temporária que tem múltiplas causas não psiquiátricas, incluindo concussões, coágulos e lesões); 3,6%, transtorno de ajustamento (depressão/ansiedade deflagradas por mudanças ou traumas); 0,3%, outros distúrbios psicóticos e 5,1%, outros diagnósticos psiquiátricos. Os 3,1% restantes não significam ausência de doença mental, mas a falta de um diagnóstico adequado.
O vereador explica que todos esses transtornos são tratáveis com acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Porém, esbarram no preconceito não só de pacientes, mas de familiares e até de profissionais da saúde. Ele afirma que em pleno século 21 tem gente que ainda acredita que psicólogo é coisa de doido.
Por isso o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) mobilizam a sociedade através de lançamento de campanhas a nível nacional, fazendo um chamamento público para a prevenção ao suicídio, aproveitando o dia 10 de setembro que é data lembrada mundialmente, usando o slogan: “Ficar triste pode ser natural. Entretanto, pensar em desistir não é a melhor opção. Por isso acredite na vida”.