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Cabeça Feita de 10 de janeiro

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA...
11 de janeiro de 2016
Igrejas cheias. Mulheres de véu. Poucas é verdade. Não se usa mais aquele véu preto das carolas. Homens arrumadinhos,compenetrados.Camisas bem passadas, sua melhor roupa. A roupa da missa. Parecem uns embrulhinhos de presente. Caras de santos, caras de redimidos, arrependidos, com propósito de não pecar mais. 
Dá gosto de ver!!! Todo mundo vai cumprir sua obrigação para com a própria consciência (quase sempre pesada). Conversar com seu Deus! Ouvir o sermão do padre, do pastor! O mesmo acontece no templo evangélico. A mesma coisa no centro espírita!Almas em busca de consolo, almas em busca de perdão...
Essas mesmas almas sentam-se todas as semanas para ouvir ensinamentos exemplificados por Jesus há mais de dois mil anos atrás. Eu disse: Exemplificados! Que nada se ensina sem exemplo! E nada se aprende sem o coração aberto!
E ao chegarem à saída do templo, de volta às suas casas, já estão atirando pedras. As mesmas  pedras que foram ensinados a não atirar, cinco minutos atrás.A hóstia ainda não dissolveu na boca, o diabo ainda não acabou de ser expulso do corpo, a água benta ainda não secou no sinal da cruz tortamente executado e lá estamos nós , procurando a próxima Maria Madalena sobre a qual atiraremos as pedras dos nossos preconceitos e hipocrisias.
Todas as semanas preparamos nosso exterior para a entrada nas casas de oração que elegemos como o local purificador de nossos pecados, só esquecemos de preparar nossos espíritos. E então, de que nos serve tanta reza tanto palavrório, tanta caridade???
Claro que eu percebo a necessidade das religiões na vida do homem! Vejo a religião como um cabresto, um freio, algo a causar temor, a mostrar direções na estrada dos que não conseguiram se espiritualizar ainda. Faz parte da vida  interior do homem como as leis fazem parte se sua vida social. Não dá para viver sem. Acho que seria o caos para muitas pessoas...
O único problema é não estarmos preparados para assimilar e para viver no nosso dia a dia o que as doutrinas sérias pregam. É aquela velha história: “Para os amigos tudo. Para os inimigos a Lei!” . Só conseguimos ser justos, só conseguimos ter compaixão dos nossos. Nossos defeitos, nossos erros. Os daqueles que amamos, jogamos numa cesta que carregamos nas costas, para que possamos não enxergar.Nos intitulamos, justos, sem preconceitos, mas vivemos de julgamento em julgamento, com nosso nariz em pé, nos qualificando como os melhores do pedaço, o último biscoito do pacote...
Os que não estão na nossa esfera social, os que não gozam da nossa amizade, os que não rezam o mesmo evangelho que nós, costumamos considerar criaturas perdidas, párias da sociedade, que se insistirem em suas convicções, diferentes das nossas, estão sujeitos às mesmas pedras atiradas em Madalena. Pedras que nós atiramos sem dó nem piedade, sem refletirmos em nossos erros, em nossa mentira diante da vida que levamos.
Hipócritas! Vendidos! Falsos! Homens mornos! Não sabem ainda sequer se posicionar diante da vida! Não sabem sequer eleger seus governantes! Não sabem ao menos educar seus filhos! Vivem em cima de muros que criaram para se proteger de decisões que deveriam tomar em suas vidas. Causariam vomito ao Mestre que tanto nos recomendou fosse o nosso dizer “Sim, Sim, Não, Não”!!!
Nossos telhados são de vidro! Ainda somos crianças precisando aprender tudo da vida! Só freqüentarmos os templos, com nossas roupas de domingo, nossas caras de beatos e sairmos deles com mãos cheias de pedras para serem atiradas naqueles que consideramos inferiores a nós, não nos faz atingir o objetivo a que se propõem as religiões: a modificação moral e espiritual do homem.Ou então, sigam o ensinamento:
“ATIREM A PRIMEIRA PEDRA!” Mas olhem-se no espelho antes!
 
Luiza Elizabeth da Silva (especialização em Recursos Humanos e Gestão de Pessoas)
e-mail: luizaeli@gmail.com
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