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Buraco de rua

por MARCO ANTONIO POLETTO
11 de março de 2018
Marco Antonio Poletto
É triste constatar a situação atual dos buracos de rua de nossa cidade. Uma herança maldita que a administração anterior da anterior, da anterior, da anterior deixou para a administração que por aqui está.
Digo isso porque, vejam vocês, amigos leitores do Jornal de Jales, o que aconteceu comigo:- “semana passada indo para minha uma das minhas seções de hidroginástica, no Planeta Agua,encontrei um filhote de buraco de rua abandonado. Que tristeza! Levei-o para minha casa. Cuidei do coitadinho, como um pai cuida de um filho. E não é que o filhote conseguiu sobreviver e voltar à natureza, digo, na sua rua”.
Outro dia, estava eu, novamente flanando por outro bairro, a caminho das minhas seções de fisioterapia, quando de repente ouvi uma voz, rouca como que um eco perdido nas ruas a procura de alguém, encontrei, pasmem senhores, um avô de vários buracos. Coitado, velho, acabado e, o que é pior, em estado de calamidade, por anos de esquecimento no sol e na chuva. Pelo que observei, esse buraco é do tempo do primeiro mandato do ex-prefeito “estadista”. Imediatamente pensei: “Mas será o Benedito? Nem posso mais passear pela cidade que encontro um desses desvalidos?” Olhei para o pobre coitado e confesso: hesitei sobre a possibilidade de levá-lo para casa. Afinal na rua da minha casa já cuido de seis buracos, o que adiciona uma considerável dificuldade ao esforço de cuidar do buraco avô, de fazer com que sobreviva e de devolvê-lo ao seu habitat sem ser devorado pela chuva, pelo desleixo e pela mediocridade do poder público. Mas que escolha eu tinha? Antes recolhê-lo do que ele ser arrebentado pelos “pneus insensatos dos carros de alguns”...
Eu imagino como deve ser oca e vazia a vida de um buraco de rua. O problema é que esse fato tem se tornado cada vez mais comum!    O buraco sabe que a espera não é uma esperança vazia. Possui a certeza interior de alcançar o seu objetivo. Só essa certeza confere a luz única que conduz ao sucesso. Isso leva à perseverança de atravessar a grande água, enfrentar o sol e os pneus. Alguém que se encontra diante de um perigo que deve ser superado. Só o forte pode enfrentar seu destino, pois, graças à sua segurança interior, ele é capaz de resistir. Essa força manifesta-se através de uma incorruptível veracidade para consigo mesmo: “nunca abandonar a rua em que nasceu, sem se deixar enganar nem iludir, como querer ser um buraco de avenida, que permite reconhecer o caminho para o sucesso e glória”.
Isto tudo mexeu com a minha sensibilidade e fez com que eu refletisse com mais “profundidade” sobre o drama dos buracos abandonados. A cada dia que passa mais e mais filhotes nascem nas ruas de nossa cidade. Filhotinhos, ainda, são lançados para fora de seus lares, totalmente abandonados.
Querido leitor, faça como eu, adote e cuide de um buraco, principalmente nesta época do ano em que, em tese, tudo mundo fica mais amolecido com esse ópio chamado Facip! (quem está promovendo a festa foi autorizado a usar esse nome: FACIP?)
Mas, cuidado para não ser enganado pelo famoso buraco sem vergonha. Ele é diferente de todos os que surgem na cidade! Ele aparece de repente, não mais que de repente, em pleno centro da cidade. Ai da suspensão que cruzar com ele. Ele é um buraco malandro. Esse eu não aconselho a adoção. Mas, a minha maior preocupação será com o buraco pescador: socorro!!!!!!!!! Este vai ter fila para adoção.
PS.Você sabia querido leitor, que sofrer acidente nas vias urbanas por causa de um buraco tem direito a ser ressarcido ou indenizado pelo responsável? Por isso a vítima pode recorrer à Justiça. No caso do ajuizamento de um processo, são necessários alguns procedimentos: Registrar boletim de ocorrência, Reunir provas, fotos do buraco, do acidente e do veículo, Conseguir testemunhas, Realizar no mínimo três orçamentos do conserto do veículo, Juntar recibos com gastos relativos a medicamento e atendimento médico (se for o caso).  Vale lembrar que, se o buraco estava em área urbana, a ação deverá ser impetrada contra a prefeitura que é responsável pela conservação das vias urbanas. 
Chegamos ao ponto que nem mesmo o bom humor típico do Jalesense consegue fazer graça com nossas lamúrias.

Marco Antonio Poletto 
(é gestor no Poder Judiciário, Historiador, Articulista e Animador Cultural)