domingo 17 outubro 2021
REGISTRO

Brasil, 07 de Setembro de 2021

Sabe-se que a dura tarefa de esclarecer fatos históricos é responsabilidade dos dignos professores de História, porém, os estudos apontam que o movimento de independência não representou a população em geral, visto que o país continuou sendo uma monarquia escravocrata – que não reconhecia direitos dos povos negros e indígenas, nem das mulheres, além de, então, passarmos a ser dependentes economicamente da Inglaterra. O grito do Ipiranga não foi o suficiente para livrar o povo brasileiro das amarras imperialistas do colonialismo.

Os últimos meses no Brasil, quase 200 anos após separação do país de Portugal, foram carregados de ameaças de golpe e um falso nacionalismo, bem como crise política e econômica - sem mencionar a crise social, ambiental e sanitária. Tudo apoiado pelo governo negacionista representado por um Presidente crítico à democracia e largamente denunciado como genocida. Ou seja, ainda há muitos direitos a serem conquistados para que o povo brasileiro consiga viver em paz.

No entanto, constata-se que quem defende os direitos das mulheres, dos pobres, da população negra e indígena, é tachado como “comunista”. Malditos esses que defendem que a população continue viva, hein? Ironias à parte, o movimento denominado “Grito dos Excluídos e das Excluídas” juntamente com a Campanha Fora Bolsonaro por todo o Brasil, que defendem a justiça social e que, em breve, o povo volte a sentir orgulho de ser brasileiro e acreditar em uma vida digna. Ah, e não tem relação com comunismo, e as dúvidas devem ser esclarecidas em bons livros ou professores de História, e não no grupo de WhatsApp.

Dia 07 de setembro deveria ser marcado pela luta de uma verdadeira independência, qual seja, livrar o país de uma ideologia bolsonarista. Claro que é democrático respeitar opiniões contrárias, mas é inaceitável que, em nome de uma falsa liberdade de expressão, direitos básicos sejam arrancados do povo simplesmente porque os governistas acham que podem transformar opiniões em fatos.

Cabe lembrar de alguns problemas potencializados pelo atual governo: desemprego recorde; escândalos de corrupção na negociação de vacinas; desmonte do SUS; insegurança alimentar e povo com fome; destinação do dinheiro público para pagar juros de dívida pública, ao invés de investir em políticas sociais; falta de moradia e despejos injustificados; a falta de dignidade no tratamento aos povos em situação de rua, migrantes e refugiados; cultura do ódio com ataques aos direitos humanos, das mulheres, LGBTQIA+, negros(as), indígenas, quilombolas, portadores de deficiência, trabalhadores; além da assustadora marca de 580 mil mortes causadas pela COVID-19, sendo que, parte delas, poderia ter sido evitada com compra de vacina. Que a independência nos alcance em breve.

  Gabriela Amadeu (É advogada em Jales e integrante da Pastoral da Cidadania)

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