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Bons conselhos

Editorial
12 de janeiro de 2020
Se conselho fosse bom ninguém dava, vendia. Esta frase, encastelada no imaginário popular, é aceita como verdade absoluta e como sinônimo de desconfiança diante desta ou daquela ponderação não somente no âmbito pessoal quanto na vida pública. 
Tais considerações vêm a propósito da atuação do Conselho Municipal de Saúde que, de uns tempos a esta parte, conquistou merecida notoriedade.    
Presidido pelo aposentado José Célio Martini e constituído por outros voluntários com igual disposição para fazer valer o direito de quem depende do sistema público de saúde, aquele órgão vem mostrando que vale a pena investir na organização popular. 
Só um cego não vê que estruturas de saúde existentes na cidade, em todos os níveis, estão melhorando a qualidade dos serviços que prestam.
Para não ir muito longe, vale lembrar que, há 40 dias, a Unidade de Pronto Atendimento, outrora o patinho feio do esquema de atendimento à população, alvo de permanente esculacho nas redes sociais, programas de rádio e colunas de jornais, saiu do inferno e conquistou o paraíso. 
Como se sabe, a UPA, mantida pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde, presidido pelo prefeito de Jales, Flávio Prandi Franco, e integrado por prefeitos de 16 municípios, recebeu um atestado de qualidade do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo em relatório oficial assinado pelo conselheiro do TCE, Dimas Ramalho, promotor público de carreira, ex-deputado estadual, federal e secretário estadual.
 José Roberto Pietrobom, diretor administrativo do CONSIRJ, faz questão de valorizar em todas as entrevistas a contribuição que a UPA vem recebendo, sob a forma de sugestões, dos membros do Conselho Municipal de Saúde, que trabalham a custo zero.   
Mas, puxando pela memória, o bom desempenho do Conselho Municipal de Saúde talvez tenha a ver com uma certa tradição histórica cultivada por lideranças comunitárias de Jales. 
Os mais novos certamente não sabem que Jales foi a primeira cidade do Estado de São Paulo e a terceira do Brasil a criar e instalar o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, no início dos anos 90, sob a presidência da professora mestre Gema Aparecida Prandi Rosa, de saudosa memória.
 Foi ela quem, baseada no que estabelecia o Estatuto da Criança e do Adolescente, organizou a eleição dos membros do primeiro Conselho Tutelar, disputa de alto nível em clima assemelhado a eleição municipal. O candidato a conselheiro tutelar mais votado foi o delegado de polícia Milton Birolli Gonzales, que, meses antes, terminara a carreira no topo, como diretor do Departamento Estadual de Polícia Científica.
Também é importante lembrar que parte das boas ações dos dois mandatos do ex-presidente Lula saiu  de um fórum apartidário, o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado “Conselhão”, órgão de assessoramento da Presidência da República,   integrado por empresários, sindicalistas, intelectuais, profissionais liberais e até por religiosos, entre os quais, o então bispo diocesano de Jales, Dom Demétrio Valentini, representante oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.   
Ou seja, conselho é bom sim. Só depende dos conselheiros.