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Bola dividida

Editorial
20 de maio de 2018
Quem já jogou futebol ou pelo menos gosta de ver as partidas ao vivo na televisão sabe bem o significado da expressão que dá título a este comentário.
Entrar em bola dividida é ruim sempre na medida em que ninguém sai ganhando. Do ponto de vista da jogada propriamente dita, a bola espirra para a linha lateral do gramado ou para vai a linha de fundo.
De outra parte, sob o ponto de vista da integridade física, entrar em bola dividida é perigoso. Dependendo da maneira como um dos jogadores resolver dividir a bola, o risco de lesões é iminente, sem contar que o árbitro do jogo pode ver maldade no lance e brindar um ou os dois litigantes com cartão vermelho.
Este raciocínio também pode ser transposto para a vida pública, especialmente no período pré-eleitoral, que é o que nós estamos vivendo.
No plano nacional, principalmente depois da prisão do ex-presidente Lula, os pré-candidatos que atuam no chamado centro do espectro político-ideológico estão batendo cabeça, sem saber o que fazer e angustiados com o mau desempenho nas pesquisas.
Até agora, Geraldo Alckmin (PSDB), Álvaro Dias (Podemos), Flávio Rocha (PRB), Rodrigo Maia (DEM), João Amoedo (Partido Novo) vivem dividindo a bola, mas, como atestam as pesquisas de opinião pública, ninguém progrediu um milímetro. 
Todos continuam no meio de campo trombando aqui e ali, mas mostrando enorme fragilidade. Na opinião de abalizados comentaristas da grande imprensa, se nada for feito, os candidatos do centro correm o sério risco de ficar fora do segundo turno. 
Estas considerações preliminares têm a ver com as eleições proporcionais que se avizinham —para deputado estadual ou federal.
A cada dia, ouve-se aqui e acolá que fulano e/ ou beltrano será candidato a deputado, pois, segundo estes, “a cidade precisa ter um candidato”, assim como Santa Fé do Sul tem o seu (Itamar Borges), Fernandópolis idem (Fausto Pinato federal e Gilmar Gimenes estadual) e Votuporanga (Carlão Pignatari).
Omite-se, por desinformação ou má fé, o nome da deputada estadual Analice Fernandes, nascida e criada em Jales e a mais votada na cidade natal nas últimas quatro eleições, com escritório de atendimento a prefeitos e vereadores funcionando 365 dias por ano.
Com o quadro de bola dividida devidamente estabelecido, pode- se prever, tal qual acontece no futebol, o que vai acontecer se a comunidade não tiver juízo: ninguém vai levar vantagem na urna eletrônica. 
Por este motivo, vale repercutir o que disse dias desses, na redação do Jornal de Jales, o vereador Tiago Abra (PP), preocupado com a pulverização de pré-candidaturas locais a deputado.
Na opinião dele, alguém precisa evitar esta bola dividida, citando nominalmente o Fórum da Cidadania, instância comunitária formada por entidades de classe, clubes de serviço, associações profissionais e instituições filosóficas, como capaz de fazer a mediação entre os pretensos candidatos, tal qual já ocorreu em outras oportunidades. 
 A sugestão é válida. Resta saber se os pré-candidatos estão dispostos a ouvi- la.