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Boca no trombone digital

Editorial
04 de fevereiro de 2018
A expressão “botar a boca no trombone”, de delicioso sabor popular, perpetuou-se no vocabulário dos brasileiros, desde tempos imemoriais.
Não é preciso maiores explicações, pois qualquer criança de pré-escola sabe o que significa, que também pode ser traduzida por outra equivalente: “soltar os cachorros”!.
Claro que muita gente não gosta, especialmente governantes, que ao som do trombone, são obrigados a sair de sua zona de conforto e dar ao distinto público explicações sobre isso e aquilo, até porque todos eles são pagos por aqueles que reclamam.  
Os gestores mais esclarecidos, seja para tratar os reclamos dos contribuintes com o devido respeito, ou para evitar “bolas nas costas” proporcionadas por assessores relapsos, têm se servido de um poderoso instrumento para saber o que se passa além das paredes de seus confortáveis gabinetes — as Ouvidorias.
Em Jales, o tiro de partida foi dado pelo saudoso prefeito José Carlos Guisso (PSDB), no início de seu segundo mandato, em 2001, quando escalou o advogado Osmar Antonio da Silva para ouvir o que o povo tinha a  dizer.Como Guisso faleceu 11 meses e 21 dias depois de tomar posse, a Ouvidoria foi se esvaziando.
Na sucessão, o prefeito Humberto Parini (PT) que, na campanha inteira tinha pregado administração participava, convidou um velho companheiro de partido, José Célio Martini para, sem remuneração, trabalhar como ouvidor. Por razões que não comporta comentar, o ouvidor não permaneceu  no cargo.
Mas, a idéia não morreu. O atual prefeito Flávio Prandi Franco (DEM), que está completando um ano de mandato, não somente ressuscitou a Ouvidoria Municipal como também atualizou o conceito desse tipo de ferramenta.
Agora, sob o comando da Secretaria de Comunicação, a Prefeitura vem investindo em uma forma de interação  que, se bem utilizada, pode ser muito eficaz não somente para os reclamantes , mas também para o comando da administração municipal — a Ouvidoria Digital.
De acordo com informações da Secretaria de Comunicação, trata-se de um site com espaço específico que poderá ser utilizado para o envio de reclamações referentes à prestação de serviços, sugestões e solicitação de informações. E mais: o lançamento de um aplicativo permitirá maior colaboração do morador, com fotos, direto do local onde existe a necessidade.   
Explicam ainda os próceres do Paço Municipal que, para interagir com o aplicativo, basta escolher a secretaria para qual deverá ser enviada a solicitação e preencher os dados para o registro.
Enfim, a Ouvidoria Digital pode prestar relevantes serviços a todos nós. 
Tomara que a novidade tenha a mesma eficiência da Ouvidoria da Agência Nacional de Telecomunicações. Quem tiver dúvida a respeito consulte algum usuário que tomou canseira de operadoras de telefonia celular. Bastou comunicar o caso à Ouvidoria da Amatel  que os problemas foram resolvidos em menos de 24 horas.  Assim seja!