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Biografia de Fagner conta episódio envolvendo a professora Eugenia

A história inclui ainda o ex-beatle George Harrison e os produtores musicais George Martin e André Midani
18 de agosto de 2019
ugenia, ao lado de George Harrison, quando ele dava autógrafos no aeroporto
A morte do produtor musical André Midani, que lançou a bossa nova em disco, e o lançamento da biografia do cantor Raimundo Fagner, “Quem me levará sou eu” escrita por Regina Echeverria fizeram a neuroeducadora Eugenia Maria que mora em Jales há mais de 30 anos, viver momentos de recordação e ao mesmo tempo de alegria por receber manifestações de muitos amigos e colegas ao lerem no livro um episódio vivido por ela, Midani e George Harrison, quando este esteve no Rio de Janeiro e em São Paulo para assistir uma corrida de Fórmula 1, da qual era fã.
Eugenia lembra que no dia 7 de fevereiro de 1979, quarta-feira, foi se despedir do George que chegou no Aeroporto do Galeão acompanhado por André Midani. Ela levou a primeira edição do disco do Fagner “Eu Canto - Quem Viver Chorará”. 
André veio ao seu encontro e ficaram conversando. Ele adorou a ideia de presentear o músico inglês com o disco. E lhe pediu para acompanhar o George enquanto ele fazia o check-in para Paris, no Concorde, o famoso avião comercial supersônico. Ele lhe colocou ao lado do ex-Beatle e se foi.
Nesse momento chegaram 15 garotas gritando alto e pedindo autógrafos. George ficou bravo e pediu; “por favor, sem histeria”. Elas não falavam inglês e começaram a gritar mais alto. Eugenia ergueu a voz e disse que elas precisavam se organizar numa fila e que se continuassem gritando ele não iria atender ninguém. Elas fizeram silêncio imediatamente, enquanto George olhava para Eugenia, admirado. Elas se organizaram e ele deu autógrafos para todas. 

PRESENTE 
Quando finalizou, ela lhe entregou o disco e falou sobre o trabalho de Fagner. Ele adorou o presente. Disse que iria ficar três dias em Paris para assistir o show do Elton John. Também falou que adorou o café do Brasil e que antes de embarcar iria tomar mais uma xícara.  
Os dois se despediram e enquanto ele se dirigia para a sala vip Eugenia começou a cantar a capela “Ticket to Ride”. Ele se virou e ficou ouvindo. Deu um largo sorriso, agradeceu e disse adeus em português. Quando Eugenia retornou para Fortaleza havia uma caixa à sua espera, com todo o material de divulgação do seu novo disco, como lembrança. Ela retribuiu enviando os outros discos de Fagner. 
Eugenia escreveu para Fagner contando a história, pois já sabia da importância de George na sua vida. Ele lhe respondeu finalizando a carta com essa frase: “Acredito que se ele se tocar com o meu disco, você ficará no meio deste polo de energia positiva e ao mesmo tempo irradiando a sua que tem sido bela e intensa, somando. No mais, até uma oportunidade boa.” Em julho os dois se reencontraram durante a 31ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) em Fortaleza, onde Eugenia era uma das organizadoras de um evento com Patativa do Assaré, poeta musicado por Fagner.

CONVIVÊNCIA 
Eugenia lembra que nesse período conviveu muito com o cantor e outros artistas no tempo em que seu futuro marido, jalesense, dividiu uma casa com um amigo, Francis Vale, cineasta, produtor artístico, mentor e advogado do Fagner, em frente a praia de Iracema, território cultural da época. Fagner frequentava a casa todos os dias, quando estava em Fortaleza. Aliás muitos artistas ficavam hospedados com eles.
Nessa mesma passagem, Fagner conta que George Martin, produtor dos Beatles, o convidou para gravar um disco em Londres, mas não pode aceitar porque tinha outro contrato. Martin o conheceu através dos discos que George lhe deu para ouvir. No livro, ele afirma que se arrependeu amargamente de não ter gravado com o maestro e mentor do quarteto de Liverpool.