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Barbas de molho

Editorial
28 de julho de 2019
Políticos das antigas não gostavam muito de investir em dois segmentos: cultura e saneamento básico.  No primeiro caso, porque  era considerada coisa de elite e, no segundo, porque a obra ficava debaixo da terra e ninguém via. Ou seja, não dava voto.  
Mas, como os tempos são outros, agiu corretamente a administração municipal ao suspender as atividades no Teatro Municipal há 10 dias por conta de problemas estruturais. 
Antes que a casa caísse—e não é força de expressão— e algo de grave pudesse acontecer, o prefeito Flávio Prandi Franco colocou as barbas de molho resolveu levar em consideração laudos conclusivos da Secretaria Municipal de Obras, Serviços Públicos e Habitação, Corpo de Bombeiros e recomendação do Ministério Público Estadual, através do promotor de justiça Eduardo Shintani.
De fato, não dava mais para levar o problema com a barriga. Desde 2013, o Centro Cultural Dr. Edílio Ridolfo, que abriga o teatro, vem se deteriorando a olhos vistos. 
Pelo que informou a Secretaria Municipal de Comunicação, a Prefeitura já está autorizada pelo Conselho Municipal de Turismo a utilizar recursos financeiros oriundos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos para repaginar aquele espaço.
O que os ativistas do movimento cultural jalesense esperam é que a o trabalho de recuperação do teatro não se prolongue indefinidamente como se não fosse prioridade. 
 É lá que o público de Jales tem assistido espetáculos de rara beleza como no último dia 5 de julho quando foi realizado o 8º Concerto Solidariedade, Saúde e Música, parceria entre a Santa Casa e a Orquestra Sinfônica de Jales. 
Trata-se de algo pouco comum até em grandes capitais. A proposta do concerto é instigante: 56 músicos de formação erudita no palco acompanhando cantores populares.     
Além do mais, ano após ano, o maestro Edvaldo de Paula, regente da orquestra, fica mais ousado. Em 2018, ele encerrou o concerto com a orquestra acompanhando uma banda de pagode. No deste ano, ele foi mais longe ainda, produzindo arranjo especial para execução de um funk. Nos dois casos, o público foi ao delírio e aplaudiu de pé, conforme registro fotográfico do J.J. 
Além do mais, outro aspecto fundamental no Centro Cultural é o funcionamento da Escola Livre de Teatro, que se tornou Ponto de Cultura, contemplando formação de atores, mostra anual de teatro e outras atividades correlatas.
Enfim, é importante que, tanto quanto recuperar a malha viária urbana, o que tem rendido bons índices de aprovação à administração municipal, é colocar em condições de uso o templo da cultura em Jales. 
A construção do Centro Cultural Dr. Edílio Ridolfo custou sangue, suor e lágrimas a duas gerações de ativistas do movimento cultural de Jales, que encostaram os prefeitos da época na parede até que saiu o dinheiro para a obra. Manter o que foi conquistado é obrigação de político responsável.