Editorial

Bala de prata

Na última segunda-feira, dia 8 de agosto, Carlos Alberto di Franco, renomado professor de jornalismo, escreveu no jornal O Estado de S. Paulo:”os que estamos do lado de cá, os jornalistas, carregamos nossas idiossincrasias. Sobressai, entre elas, certa tendência ao catastrofismo.O rabo abana o cachorro. O mote frequentemente usado  para justificar o alarmismo de certas matérias, denota, no fundo, a nossa incapacidade para informar em tempos de certa normalidade”
No mesmo dia, em Jales, observação de uma comerciante apontava no mesmo sentido.Enquanto tomava lanche em uma torteria,ela,  ao lado do marido, também comerciante, deu a entender que estava carente de ler boas notícias na mídia impressa local.
Embora o Jornal de Jales não se inclua entre  os alarmistas e catastrofistas, tanto que foi tema de dissertação  de mestrado na PUC-São Paulo como exemplo de jornalismo cívico-cidadão,  é impossível negar que a assinante tem razão. Há um cheiro de negativismo no ar agravado pela dança das cadeiras na Prefeitura.
Em face dos fatos recentes,  a população jalesense anda precisando de uma injeção cavalar de otimismo que só ações efetivas do poder público poderão proporcionar.
Sob este aspecto, o prefeito Humberto Parini (PT), reempossado na sexta-feira, tem que tomar a si a responsabilidade de levantar o astral não somente dos que o elegeram em 2004 e o reelegeram em 2008, mas do conjunto da sociedade , pois todos pagam impostos.
É indiscutível que, na administração Parini, a cidade deu um salto de qualidade em termos de saúde e educação. Estão aí a Unidade de Jales do Hospital de Câncer, o AME, a Santa Casa revitalizada, o pólo da Universidade Aberta do Brasil, a Fatec e uma bem avaliada rede municipal de educação.
Foram avanços que, em maior ou menor grau, se deram com a participação da municipalidade. No caso da Fatec, só há instituições similares  em São José do Rio Preto e Araçatuba. Em relação à Universidade Aberta, o pólo de Jales é o único num raio de 300 quilômetros. Quanto ao Hospital de Câncer, é a única  unidade fora de Barretos.
Mas, como na questão da temperatura, quando os termômetros marcam uma coisa e a sensação térmica é outra, boa parte da população, muito provavelmente por falta de informação, parece alheia ao que foi conquistado.
Assim sendo, o prefeito precisa aproveitar a recuperação do mandato para chacoalhar o ânimo da população.É chegada a hora de reconhecer os erros cometidos,  mostrar o que fez, dizer o que pode fazer, enfim, deixar bem claro aos pagadores de impostos que, apesar das intercorrências, a cidade não acabou.
 Em linguagem de filme de faroeste, a volta ao poder tem que ser a   bala de prata. Ele não pode errar o alvo.    

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