quinta 22 outubro 2020
Editorial

Baixaria

“Esta é a pior Câmara Municipal de todos os tempos”. “Como é que um cara analfabeto como aquele pode ser vereador?”. “Tem um que chega com a cara cheia em toda sessão; deviam colocar bafômetro na entrada”. “Tem um outro que quer que a prefeitura pague o estudo da filha”.

Entra ano, sai ano, embora haja mudanças, como na eleição de 2016, quando houve renovação de 70%, frases como estas e outras ainda mais agressivas são repetidas à exaustão por uma certa faixa do eleitorado desde que Jales foi fundada.

Isto sem contar que, às vezes, a temperatura sobe e proporciona aos maledicentes farto material para intensificar os ataques como no dia 12 de agosto quando os vereadores Adalberto Francisco de Oliveira Filho, o Chico do Cartório (MDB) e Vanderley Vieira dos Santos, o Deley (DEM) perderam a paciência com o extrovertido colega Luís Henrique Viotto, o Macetão (PSD) e o transformaram em saco de pancadas.

 O sempre tranquilo Chico, por exemplo, chamou Macetão de “cara de pau e covarde” e disse que ele “precisava tomar vergonha na cara”. Deley debochou: “Que pena. Um moço que tem faculdade, inteligente, que não usa um minuto da inteligência para o bem. Eu tenho até tristeza de seu fim político. Tá próximo. A sua vida política está minguando pelas suas mentiras”.

Pois bem, quem achou que, naquela ocasião, Chico e Deley pesaram a mão, certamente mudou de opinião ao assistir ao debate entre o presidente dos Estados Unidos, Donaldo Trump, do Partido Republicano, e o senador Joe Biden, do Partido Democrata, transmitido ao vivo pela CNN Brasil com tradução simultânea, terça-feira, dia 29 de setembro.

Perto da troca de impropérios entre Trump e Bide, que disputam a presidência da maior e mais rica nação do mundo, o embate entre os vereadores jalesenses pareceu hora do recreio em pré-escola.

Só para ficar em dois exemplos. Em certo momento, Trump fez ataques pessoais e acusou Biden de ter filho drogado. Biden rebateu chamando seu adversário de palhaço , mentiroso e sonegador de impostos

Isto sem contar que, segundo cronometragem dos maiores jornais americanos, Trump, em 90 minutos de debate, interrompeu seu oponente nada menos do que 127 vezes, tirando do sério até o mediador Chris Wallace.

 Na verdade, o debate de terça-feira mais pareceu briga de rua entre dois moleques birrentos. Só faltou um xingar a mãe do outro. Sinal de que a Câmara de Jales, perto do que mostraram Trump e Biden no debate de terça-feira, pode ser chamada de casa de orações.   

Desenvolvido por Enzo Nagata