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Avanços no palco

Editorial
21 de janeiro de 2018
Houve um tempo entre os anos 70 e 80 que Jales fervia em termos culturais.
Na educação musical,  três escolas  e  festivais, alguns dos quais de âmbito nacional.  Nas artes cênicas, quatro grupos teatrais, algo impensável para aqueles tempos. Na dança, espetáculos imperdíveis cuja melhor tradução eram as apresentações de  final do ano.
O único problema era que não havia espaço adequado para abrigar tais manifestações artísticas. Os festivais de música, por exemplo, eram realizados na quadra da Escola Dr. Euphly Jalles ou no Ginásio de Esportes
Por esta razão, como já foi escrito neste mesmo espaço recentemente, os ativistas do movimento cultural jalesense botaram o bloco da rua tentando sensibilizar as autoridades locais e até estaduais para viabilizar um local à altura do talento da rapaziada. 
O ambiente começou a se desanuviar em 1991 quando, em face da insistência dos artistas locais, os donos do poder houveram por bem construir e inaugurar o Centro Cultural que levou o nome de um dos intelectuais de Jales, o saudoso dr. Edílio Ridolfo, pioneiro da radiodifusão regional.
Dali para a frente, tudo melhorou, surgindo o Espaço Cultural Dr. José Carlos Guisso e, há 40 dias, o Centro de Educação Musical Avenir Fernandes, onde a Orquestra Sinfônica de Jales passou a ensaiar. 
O desafio agora é manter o que já existe e ampliar as atividades de quem se dispõe a fazer do palco um instrumento de educação.
Entre outros, este é o caso da Escola Livre de Teatro. Nascida há mais de 20 anos como Grupo Drummond, iniciativa do idealista Edney Gusmão Junior que, por falta de melhor local, ensaiava nas dependências do Paraíso Esporte Clube, a Elite vem cumprindo um relevante papel não somente na formação de atores, mas de estudantes sequiosos de se desinibir e de profissionais liberais interessados em ver o mundo além dos seus escritórios e consultórios.
O trabalho do diretor Clayton Campos é árduo. Em 2016, o núcleo de formação ministrou ensinamentos a 206 alunos. Em 2017, foram 197
Nos últimos dois anos, o público indireto atraído pelas atividades da escola — espetáculos, workshops, festival nacional de teatro— somou 11.407 espectadores. 
Os planos para 2018, conforme revelou a edição do J.J. de domingo passado, dia 14, são ambiciosos. Além do Curso de Formação de Atores, estão no gatilho o 9º Festival Nacional de Teatro, a 25ª Mostra da Elite, Poesias do Pé do Ouvido, Workshops, Vivências, Arraial no Ponto, Roda de Cantiga e Encontrão.
Felizmente, o atual prefeito Flávio Prandi Franco parece ter entendido a necessidade de ser parceiro deste esforço do grupo teatral. 
A cúpula da Escola Livre de Teatro saiu animada do encontro com o prefeito na tarde de terça-feira, dia 16 de janeiro e convicta de que haverá avanços neste segmento.