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Autismo: é preciso entender para ajudar

por Luiz Ramires
28 de abril de 2019
A psiquiatra britânica LornaWing codificou o espectro do autismo
Com dois livros publicados sobre o assunto, a professora e jornalista Eugenia Maria Pinheiro Ramires, convidada para falar sobre o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, prefere recordar o trabalho desenvolvido pela psiquiatra britânica LornaWingque que com o diagnóstico de sua filha passou a levar a vida buscando conhecimentos nessa área.
Quando o assunto volta a ser discutido em Jales, com a aprovação de um projeto da Câmara, do vereador Luiz Henrique Viotto, que como no resto do mundo institui 2 de abril como o dia do autismo, Eugenia lembra que Lorna ajudou a identificar o autismo como um distúrbio mental com muitas graduações. Foi a maior contribuição nessa questão, como afirmou.
À forma mais branda ela deu o nome de Síndrome de Asperger, em homenagem ao médico austríaco Hans Asperger, primeiro a registrar tendências autistas em crianças com alto QI, sem dificuldades de aprendizagem que poderiam incluir personagens como o cientista Albert Einstein. Com isso o autismo passou a ser estudado como um espectro de distúrbios muito diferentes entre si, embora possam ter a mesma origem.
Eugenia afirma que foi assim que Lorna se tornou a maior especialista do mundo nessa área, ajudando a fundar, em 1962 a National Autistic Society, com pesquisas em que o autismo variava dos afetados graves até aos de funcionamento muito alto. 

EVOLUÇÃO
Quando Lorna teve sua filha diagnosticada, na década de 1950, acreditava-se que o autismo atingia uma em cada 10 mil pessoas, sendo que hoje a estimativa é que haja uma em cada 70 pessoas, de acordo com as pesquisas mais recentes realizadas nos Estados Unidos. Lorna acreditava que o mais provável não é um aumento no número de autistas, mas de diagnósticos que antes não eram registrados, pois mesmo as mentes mais brilhantes podem ser autistas, o que também pode indicar que os seres humanos estão evoluindo, através desses traços autistas, tão importantes para a humanidade. 
Em uma de suas entrevistas, Lorna afirma que outra mudança foi o foco nos elementos positivos com uma espécie de orgulho do autismo. “Eu acredito que você precisa de traços autistas para o sucesso real na ciência e nas artes, e eu sou fascinada pelos comportamentos e personalidades de músicos e cientistas”, afirmou. Ela também acredita que a maioria de nós tem alguns traços autistas. “Uma das minhas frases favoritas é que a natureza nunca traça uma linha sem borrá-la. Você não pode se separar naquelas características ‘com’ e ‘sem’, pois elas são muito dispersas.”

APOIO
Por outro lado, essa mudança de foco pode, segundo Lorna, trazer outro problema que é uma preocupação menor com os autistas graves que precisam ser vistos como deficientes, tornando importantes as mudanças propostas no DSM-5 (manual diagnóstico e estatístico feito pela Associação Americana de Psiquiatria para definir como é feito o diagnóstico de transtornos mentais) em 2013, incluindo a Síndrome de Asperger. Eugenia explica que esse é o diagnóstico definitivo de transtorno do espectro autista que melhorou sua compreensão e apoio.
É uma situação complicada, pois segundo Eugenia, com base nas informações de Lorna, não dá para simplificar esses grupos e subgrupos, mesmo porque existem ainda as questões que envolvem a interação social e ações instintivas que precisam ser entendidas. Ela também concorda com Lorna de que é preciso ver cada criança como um indivíduo que mesmo independente precisa da ajuda para descobrir e sentir suas habilidades, dificuldades, formas de comportamento e principalmente suas emoções.