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Auditor da Prefeitura desafia a Câmara a investigar denúncia contra vereador

por Luiz Ramires
18 de março de 2019
Ricardo Junqueira afirmou, em depoimento, que a Câmara também tem que ter o seu controle interno
Ao afirmar que estava deixando a cópia “na íntegra de uma ação civil pública referente ao processo 1007030-61.2017.8.26.0297, onde um vereador que participa e é Presidente da CCJRLP (Comissão de Constituição, Justiça, Redação e Legislação Participativa) é réu em um processo de corrupção ativa”, o auditor fiscal tributário municipal Ricardo Junqueira disse que “se a Câmara fosse de fato séria também investigaria isso”.
Ele afirmou em depoimento na Comissão Especial de Inquérito que investiga os desvios praticados pela ex-tesoureira Érica Carpi  que “assim como ocorre na execução de trabalho do Controle Interno na Prefeitura, também é o da Câmara, a forma de trabalho é a mesma.” Acrescentou que acha estranho não terem sido convocados pela CEI os controladores internos anteriores.

FUNÇÃO
O Jornal de Jales apurou que Ricardo disse aos integrantes da CEI que, não é sua função, como auditor, fiscalizar a tesouraria e que essa também não é a função do controlador interno, cargo que acumulou por um ano e meio. A função de conferir tudo o que era feito pela tesoureira, segundo ele, era da Secretaria de Fazenda, mas não soube afirmar se houve negligência de algum servidor específico. Ele entende que o TCE (Tribunal de Contas do Estado) foi negligente pois era da sua responsabilidade também a fiscalização da conciliação bancária.
Ele explicou que entrou na Prefeitura, por concurso, em agosto de 2009 e desde então é auditor fiscal tributário. De fevereiro de 2017 a agosto de 2018 acumulou o cargo de auditor de controle interno. O controlador, segundo afirmou, tem como funções, de acordo com as normas do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o controle dos gastos constitucionais e fiscalização do investimento dos recursos públicos.
Ricardo lembrou que depois de pedir exoneração do cargo de controlador interno voltou para sua antiga função, após as eleições de outubro e não sabe qual a estrutura hoje adotada pela Secretaria de Fazenda e nem as funções atuais do controlador.

RELAÇÃO
Em seu depoimento Ricardo afirma que não tinha nenhuma relação profissional com Érica e que nunca desconfiou de nada em relação a ela, com quem só conversou por duas ou três vezes. Ele acreditava que a ostentação dela era por conta do comércio que mantinha. “O que ela fez foi se utilizar da má fé, da ardilosidade, de algo que fugia à correta função”, declarou. Ele afirma ainda que “o próprio Tribunal de Contas afirma, em um artigo que o controlador interno pode auxiliar na detecção de fraudes, mas que não é atividade inerente a este”.

DEPOIMENTOS
A assessoria de imprensa da Câmara informou que o depoimento de Ricardo foi prestado na última terça-feira, dia 12 de março, quando também foi ouvido o sócio proprietário da empresa Meta Pública Consultoria e Assessoria em Gestão Pública, Adilson Maia.
A CEI foi criada para apurar suspeitas de desvios de mais de R$ 5 milhões em recursos públicos da Prefeitura, descobertos após a deflagração da Operação Farra no Tesouro da Polícia Federal. A Comissão tem como membros o vereador Fábio Kazuto (PSB), presidente, Vanderley Vieira (PPS), vice-presidente e Bismark Kuwakino (PSDB), relator.
A CEI tinha duração de 90 dias, mas foi prorrogada por igual período no dia 21 de novembro do ano passado. A data para encerramento dos trabalhos é 6 de abril.
A comissão iniciou seus trabalhos no dia 23 de agosto e já ouviu 24 testemunhas.