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Atração fatal

Editorial
09 de outubro de 2017
O estardalhaço feito em torno da inauguração de novo supermercado, dia 29 em Jales,  empreitada  que consumiu em torno de R$ 15 milhões (J.J. – 1º/10/17), pode ter sido um bom negócio para o investidor, mas foi melhor ainda... para os concorrentes.
Se é verdade que a natural curiosidade em torno do novo atraiu ao Bom Retiro um público sedento de aproveitar ofertas características deste tipo de ocasião, também não é menos verdade que as duas unidades locais da Rede Sakashita  e o espaço do Proença botaram gente pelo ladrão naquele fim de semana.
Era só passar em frente às lojas para verificar que as duas casas tradicionais, tanto quanto a que foi inaugurada naquele fim de semana, estavam lotadas, com muita dificuldade de encontrar vagas nos estacionamentos. 
Diante dessa realidade, vem a pergunta: a quem atribuir este estouro de consumo num final de mês quando, como se sabe, a capacidade de compra da maioria da população diminui?
Só há uma resposta plausível: todos os supermercadistas locais, tanto os tradicionais quanto o novato, além dos pequenos e médios de bairros, se deram bem em função de um fato líquido e certo — a privilegiada situação geográfica de Jales.
Ou seja, atraídos pela concorrência, consumidores de fora de Jales, tanto do entorno quanto de cidades limítrofes de estados vizinhos, vieram conferir o que estava acontecendo. 
 Se o compositor Milton Nascimento escreveu um dia que “o artista deve ir onde o povo está”, o mesmo raciocínio vale para os consumidores, que viajam quilômetros para aproveitar as ofertas que a livre concorrência propicia.
Sob este aspecto, vale reprisar o que este jornal tem repetido à exaustão —Jales, historicamente,  é um polo que atrai gente de, no mínimo, 22 cidades da região que aqui aparecem em função de uma série de motivos, desde os institucionais  até os que precisam de cuidados médicos.
Para não ir longe, basta lembrar que a Santa Casa, referência para pacientes de 19 municípios, atende mais de 200 pessoas por dia, aí incluídos internações e ambulatórios. O Ambulatório Médico de Especialidades (AME), acolhe diariamente de 600 a 700 pessoas por dia. E a Unidade do Hospital de Câncer faz mil procedimentos diários.
Ora, é claro que essas pessoas aproveitam o deslocamento para Jales em razão de seus interesses particulares, também para consumir, o que explica, em parte, o que aconteceu no final de semana em relação aos supermercados.
Em resumo, Jales , parafraseando o título do filme que fez a fama do ator Michael Douglas, exerce uma atração fatal sobre a vizinhança.