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Até quando?

Editorial
03 de março de 2019
Não precisa ser nenhum entendido para saber que uma empresa cresce na medida em que executa bons serviços, criando condições para manter uma boa equipe, competente o suficiente para enfrentar a concorrência, com equipamentos e formas de administrar os recursos sem sobressaltos a cada final de mês.
Esse crescimento natural pode ser vertiginoso, quando se trata de algo novo, como normalmente acontece na área tecnológica ou em segmentos como o da moda ou da indústria alimentícia, mas na maioria dos casos as empresas vão evoluindo ao longo do tempo, superando desafios e enfrentando altos e baixos, quando muitas crescem enquanto outras vão ficando pelo caminho.
Ao longo de 60 anos, comemorados no ano passado, a Santa Casa de Jales foi se equilibrando, apesar dos déficits em função dos repasses oficiais que nunca correspondem ao que efetivamente é gasto com o atendimento pelo Sistema Único de Saúde.
Essa trajetória fez com que um número cada vez maior de pacientes fosse encaminhado para o hospital que se tornou verdadeira referência regional, atendendo muitos outros municípios, inclusive de estados vizinhos, além dos 16 que fazem parte da sua área de cobertura.
Mesmo cidades como Santa Fé do Sul e Fernandópolis muitas vezes acabam enviando pacientes para serem atendidos em Jales, além de cidades mais distantes que antes recorriam a hospitais mais próximos, contribuindo para esse crescimento quase que mensal no número de internações.
O provedor Júnior Ferreira está no cargo há três anos e afirma que nesse período o número de internações cresceu cerca de 30 por cento, passando de uma média diária de 70 para 100, mas isso sempre ocorreu de forma normal, dentro das expectativas, embora exigindo um esforço cada vez maior das equipes de colaboradores e do corpo clínico.
Tudo estaria dentro dos padrões de normalidade não fosse a surpresa apresentada neste final de fevereiro quando sem qualquer motivo aparente a Santa Casa registrou um crescimento de quase 30% nas internações em um único dia, em relação aos outros dias da semana. Na quarta-feira, dia 27, houve 127 internações, sendo 19 de outras regiões, enquanto que no dia anterior foram internados 100 pacientes, como nos outros dias.
O que se nota é que a Santa Casa de Jales está se transformando em um verdadeiro hospital regional, com vários especialistas, exigindo nova classificação, inclusive para aumentar o número de especialidades, trazendo mais movimento e mais receitas, além de melhorar o atendimento pelo SUS.
Promessas vem desde as últimas administrações estaduais e federais, mas até agora não passaram de conversas. Com isso aumenta a demanda e os custos, além de deixar os servidores muito mais atarefados, apesar de estarem preparados para atender mais pacientes.
A pergunta que fica é: até quando a Santa Casa vai continuar crescendo sem essa reclassificação, extremamente necessária para manter o nível de atendimento que sempre prestou a todos os pacientes, sejam particulares, de convênios ou do SUS?