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As razões do inconformismo

Editorial
08 de abril de 2018
Não foram poucos os leitores e internautas que estranharam o tom do comentário publicado neste espaço impresso e na edição eletrônica do jornal a respeito da falta de realizações do governo Geraldo Alckmin em relação a Jales.
Não é para menos. Mesmo nos áureos tempos do PT em nível nacional, os candidatos do PSDB a governador e presidente, inclusive Alckmin, colheram altissonantes vitórias nos 22 municípios da microrregião de Jales, surrando nas urnas, por larga margem, tanto Lula (2002 e 2006) quanto Dilma (2010 e 2014)  
Mas, como se comentou aqui domingo passado, a recíproca não é verdadeira. Em relação a Jales, o cardápio servido por Alckmin nos últimos anos foi à base de salada de folhas e legumes, no máximo um arroz-com-feijão sem muito tempero.
Este foi o  motivo do  inconformismo dos editorialistas do J.J. quando descobriram que, 10 dias antes de deixar o comando do governo estadual para pleitear a presidência da República, Alckmin autorizou a demolição da Ciretran de São José do Rio Preto e destinou R$ 10 milhões para que seja edificada naquele local a “Cidade da Polícia Judiciária”, abrigando, como foi escrito, a Central de Flagrantes, a Delegacia de Defesa da Mulher, a Delegacia do Idoso,  Núcleo Especial Criminal e a Delegacia Seccional.
Seria até compreensível para um governante que quer alçar voo residencial priorizar uma cidade com quase 500 mil habitantes e mais de 200 mil eleitores, mirando um setor nevrálgico, que é a segurança pública.
Porém, a distribuição de bombons para Rio Preto, aos 45 do segundo tempo, foi vista como uma demonstração de insensibilidade política da cúpula do governo em relação a um projeto muito mais abrangente que vinha sendo gestado desde 2011 pelas lideranças comunitárias reunidas em torno do Fórum da Cidadania e de lideranças políticas, entre os quais os deputados mais votados em Jales.
Jales lutou muito para tentar tirar do papel o projeto da ”Cidade Judiciária”, um espaço que abrigaria Fórum Estadual, Vara Federal, Ministério Público Estadual e Federal, Vara Trabalhista, facilitando a vida dos cidadãos.
Esforço não faltou. Consultado, o grupo Venturini, através da empresa VBLX, se dispôs a doar 35 mil metros quadrados, tendo escriturado inicialmente 15 mil metros quadrados para o Fórum Estadual.
Vale lembrar que a construção teria custo zero, uma vez que, também consultado, o empresário Toshiro Sakashita, dono de uma unidade de sua rede de supermercados ao lado do Fórum Estadual se dispunha a ficar com o bem público pagando a conta erguendo um prédio novo na Cidade Judiciária. Tudo isso chegou ao conhecimento de pelo menos dois secretários estaduais da Justiça, Eloisa Arruda e José Renato Nalini. 
Vai daí, mesmo considerando Alckmin uma pessoa educada, afável no trato e, até onde se sabe, ficha limpa, não dá para aceitar esta bola nas costas. Resta continuar lutando.
 Afinal, a ponte rodoferroviária sobre o rio Paraná, movimento iniciado em Jales, no início dos anos 70, pelo então prefeito Edison Freitas de Oliveira, demorou 28 anos para ficar pronta.