quarta 14 abril 2021
Arquibancada

As perspectivas dos grandes para 2017

O ano de 2016 vive as suas últimas horas. Depois da longa temporada, o momento é de analisar, cuidadosamente, aquilo que deu certo e de tirar lições com os próprios erros. Por isso, o Jornal de Jales traz uma análise mais detalhada dos quatro grandes clubes de São Paulo e as perspectivas para a nova época que se aproxima.

CORINTHIANS
Depois do hexacampeonato brasileiro, a torcida corintiana alimentava o sonho de conquistar a América pela segunda vez. Com caixa reforçado, graças às negociações de boa parte do elenco de 2015, a expectativa por um ano vitorioso era mais do que real.
No entanto, o Timão teve uma temporada para ser esquecida. As precoces eliminações no Paulistão e na Libertadores, aliado ao desempenho insatisfatório nas competições nacionais,foram as principais razões para a torcida esperar o Ano Novo com ansiedade.
As falhas da diretoria também explicam o fracasso. Mais de R$ 50 milhões foram investidos em contratações, sendo que boa parte dos nomes não surtiu rendeu o esperado. Depois da saída de Tite, a falta de critério na escolha do treinador também pesou. Sem convicção e com reprovação do Bando de Loucos, os mandatários trouxeram Cristóvão Borges e Oswaldo de Oliveira. Em pouco tempo de trabalho, ambos tiveram à disposição um elenco longe de empolgar, sem padrão tático definido e com dificuldades de manter uma estratégia.
Nem a criação do G-6 no Campeonato Brasileiro, em outubro, foi suficiente para devolver o time ao principal torneio do continente. Para piorar, a montagem da equipe está atrasada. O principal alvo do Corinthians para a temporada seguinte está cada vez mais distante: o volante Rithely, do Sport, cuja multa rescisória é de R$ 40 milhões.
O que deu certo? Pode-se afirmar que o melhor momento do ano foi com Tite. Até junho, o gaúcho conseguiu manter, apesar do desmanche, uma equipe compacta, com as linhas próximas e defesa forte, uma de suas peculiaridades. No segundo semestre, não houve nada de positivo. Até problemas políticos – pedido de impeachment do presidente Roberto de Andrade – e escândalos na Arena Corinthians vieram à tona.
O que esperar? Com a efetivação de Fábio Carille, espera-se que a equipe volte a funcionar bem. Durante o seu período de interino, conseguiu definir um plano de jogo. Não por acaso, obteve os melhores resultados desde a saída de Tite. A tendência é que a equipe volte a jogar no 4-1-4-1. 
A falta de dinheiro vai obrigar o Timão a olhar com mais carinho para a categoria de base. O volante Maycon retorna de empréstimo da Ponte Preta e deve ser o primeiro a ter chance. Com a carência ofensiva, Léo Jabá pode ganhar mais espaço.

PALMEIRAS
O tricampeonato da Copa do Brasil foi apenas o início do ápice palmeirense no século XXI. Com a provável manutenção do elenco e dinheiro de sobra, o então presidente Paulo Nobre montou uma equipe para colorir o continente de verde e branco. Sem sucesso. Eliminado na fase de grupos, graças ao desempenho abaixo da média do técnico Marcelo Oliveira e de todo elenco.
Com Cuca, tudo mudou. O Verdão ganhou uma cara nova, consistência defensiva e poder ofensivo. A partir do segundo semestre, Tchê Tchê e Moisés, no meio campo, ditaram o ritmo do time. Sem contar com a liderança exercida por Dudu, que se tornou capitão e um dos principais nomes do eneacampeonato brasileiro.
O que deu certo? Sobram razões para a nação palestrina comemorar. O fim do jejum de 22 anos sem conquistar o Brasileirão foi primordial. Além disso, a milionária gestão de Nobre investiu forte e acertou em alguns nomes. Destaque para o colombiano Yerry Mina. O zagueiro de 22 anos não jogou com tanta frequência, devido à lesão na coxa esquerda. Mesmo assim, foi titular absoluto, enquanto esteve à disposição. Rápido, com alto índice de desarmes e inquestionável na bola aérea. Tais características fazem do defensor uma futura fonte de renda para o Verdão. O atleta, inclusive, já é especulado no futebol do Velho Continente.
O que esperar? A saída de Gabriel Jesus para o Manchester City deve ser a principal baixa para 2017. Com as contratações, o Alviverde encontra-se ainda mais forte, se não perder nenhuma peça do time titular. Entra como favorito em todos os campeonatos que disputar. O único ponto de interrogação é no banco de reservas. Com a saída de Cuca e a chegada de Eduardo Baptista, as concepções táticas e técnicas podem mudar. Na Ponte Preta, a insistência em alguns atletas, como Fábio Ferreira e Clayson, e a fragilidade do sistema defensivo irritaram a torcida. Na capital paulista, isso não pode acontecer.

SÃO PAULO
Antagônicos. Assim podem ser definidos os dois semestres do Tricolor em 2016. Os seis primeiros meses do ano foram positivos. Na base da raça, o São Paulo chegou à semifinal da Libertadores e, após a eliminação, viu tudo mudar. Com a queda na competição continental, as saídas de Edgardo Bauza, Paulo Henrique Ganso, Alan Kardec e Calleri foram essenciais para explicar o baixo rendimento a partir de agosto.
Com Ricardo Gomes, o time não empolgou, deixou a desejar no quesito vontade e chegou a flertar com a zona de rebaixamento. Para aumentar ainda mais a decepção, caiu nas oitavas de final da Copa do Brasil para o Juventude, que, na época, era integrante da Série C.
O clima com a torcida também não é dos melhores. No final de agosto, o CT da Barra Funda foi invadido por centena de torcedores organizados e três jogadores foram agredidos – Carlinhos, Michel Bastos e Wesley.
O que deu certo? Com graves problemas financeiros, não houve dinheiro para grandes contratações. No entanto, o cofre vazio não foi empecilho para colocar o time do Morumbi entre os quatro melhores da América. Mais: a recuperação do futebol de Ganso rendeu R$ 16,3 milhões, em um momento de salários atrasados.
O que esperar? As chegadas do goleiro Sidão, ex-Botafogo, e dos pontas Wellington Nem e Neílton reforçam o limitado elenco são-paulino. Porém, contratar ainda é fundamental, em especial um volante e um centroavante. Com baixo poder de investimento, o Tricolor procura oportunidades no mercado, como empréstimo gratuito ou trocas.
Com Rogério Ceni, a categoria de base deve ter mais oportunidades. A garotada fez bonito em 2016 e conquistou cinco títulos. O meia Shaylon, artilheiro da Copa do Brasil Sub-20, merece atenção, assim como os laterais Foguete (direito) e Júnior (esquerdo) e os zagueiros Kal e Tormena.

SANTOS
A temporada santista começou com muita incerteza. Como se não bastasse a decepção pelo vice-campeonato da Copa do Brasil, as saídas de Geuvânio e Marquinhos Gabriel, destaques na temporada passada, enfraqueceram o já limitado elenco.
Diante das dificuldades – sobretudo, financeiras –, foi necessário, mais uma vez, apelar para a categoria de base. Houve êxito, como de costume. As constantes convocações, a negociação de Gabriel e as lesões de jogadores titulares foram os três principais motivos que impossibilitaram um sucesso maior do Alvinegro nas competições.
O que deu certo? Vitor Bueno foi a principal revelação do Peixe. Não começou a temporada como titular, mas hoje seu status na equipe é incontestável. Enquanto esteve lesionado em setembro e outubro, o rendimento do time caiu. Mesmo com folha salarial de R$ 3,5 milhões, o Alvinegro alcançou o segundo lugar no Campeonato Brasileiro e o bicampeonato estadual.
A vinda de Copete por cerca de R$ 5 milhões também é justificativa de comemoração. O colombiano chegou a ser o 12º jogador de Dorival Júnior, até Gabriel ser vendido. Depois, foi titular absoluto e fechou o semestre com 12 gols e seis assistências.
O que esperar? A perspectiva santista permite sonhar alto. Com a permanência do time titular e com superávit estimado em R$ 74 milhões nesta temporada, a tendência é de um 2017 ainda melhor. De volta à Libertadores depois de quatro anos, reforçar o elenco é obrigação – um zagueiro, além de Cléber, um meia, um ponta e um centroavante. Com a base mantida e entrosada, a possibilidade de o Peixe chegar forte nas competições é real.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 2°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 

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