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As lições de Jaílson e Maria Antônia

por Lucas Rossafa
04 de março de 2018
Lucas Colombo Rossafa
Na segunda-feira posterior ao clássico entre Corinthians e Palmeiras, o Globo Esporte, tradicional programa da televisão aberta, trouxe uma reportagem acompanhando as reações de Maria Antônia, alvinegra fanática e mãe de Jaílson, goleiro alviverde. As repercussões nas redes sociais e nos debates esportivos, porém, trazem uma séria reflexão a respeito da intolerância no país.
Inúmeros comentários de palestrinos pediam o desligamento do camisa 14, algo inimaginável no futebol europeu, por exemplo. Porém, querer condenar um jogador pelo fato de a sua mãe ser torcedora do rival é extrema crueldade e ignorância. A história contada pela Globo é uma das mais bonitas e de interesses da atualidade por trazer à tona um tema fundamental: é possível que as diferenças caminhem lado a lado. Inclusive, merece todo o crédito e respeitode quemconsegue enxergar a realidade de forma racional.
A mãe de Jaílson vive em uma sociedade democrática e tem o direito de escolher para qual time torcer. Ela é absolutamente livre para ir ao estádio de quem quiser e tomar as atitudes que achar mais conveniente nas arquibancadas. Quem tem compromisso contratual com o Verdão é ele e, até onde se sabe, nunca faltou profissionalismo, mesmo quando esteve na reserva de Fernando Prass. É o que importa, nada mais além disso.
As praças esportivas precisam de mais personagens como esses. Pessoas que prezem por um ambiente tranquilo, no qual predomine, única e exclusivamente, a emoção de uma partida de futebol e sem ódio pelo adversário. Tudo isso faz sentido – e é perfeitamente possível de se entender.
Mas a falta de respeito com Jaílson, palmeirense desde a infância, e Maria Antônia não é um caso isolado. Atos de violência e selvageria são constantes dentro e fora de campo. O clássico Ba-Vi, briga entre jogador e gandula, confusão entre torcedores de Guarani e Ponte Preta, mesmo sem o dérbi em Campinas, e conflitos de organizadas na Copa SP são alguns dos exemplos que já estragaram o espetáculo do esporte mais popular do Brasil em 2018.
Futebol não é guerra e as arquibancadas são lugares de festa, harmonia e felicidade. Quem tiver dificuldades para compreender tal lógica, precisa repensar a sua importância na sociedade.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 4°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 
Twitter @lucas_rossafa