Arquibancada

Arquibancada de 11 de outubro

Visto como modelo de gestão nos anos 2000, o São Paulo chega aos últimos meses de 2015 sem esse status. Conflitos políticos impedem que o clube saia da situação caótica que é mascarada pela quinta colocação no Brasileirão. O único tricampeão mundial brasileiro não passa por crises tão fortes quanto a vascaína e a botafoguense. Mas vai muito mal fora de campo.
O problema de antecipar receita, além de atrapalhar o planejamento do ano seguinte, é que não se trata só de chegar à Under Armour e sair com um cheque. Operações assim são triangulares: o clube pega um empréstimo no banco e deixa o crédito que tem para receber nesses contratos nas mãos do banqueiro, que fica com uma parte do dinheiro. Aquele contrato de R$ 75 milhões, resultado do esforço de Carlos Miguel Aidar para conseguir valor acima do mercado, já rende menos ao clube.
Além disso, empréstimos com bancos geram uma dívida perigosa para um clube. O Tricolor não é e nunca foi o mais endividado do futebol brasileiro. Mas terminou 2014 como dono de uma das maiores dívidas bancárias do país, R$ 150 milhões, enquanto tem endividamento fiscal de só R$ 13 milhões. Se fosse o inverso, a situação seria mais favorável, já que os bancos cobram altíssimos juros.
O São Paulo teve a maior despesa do futebol brasileiro no passado, R$ 301,5 milhões, contra R$ 305,9 milhões gastos em 2013. Não é campeão desde 2012. Nesse contexto, dirigentes falam em contratar Alexandre Pato, um dos três salários mais caros do elenco. Inevitavelmente, outros atletas, tão valiosos quanto, foram negociados às pressas para compensar gastos desnecessários. Assim, quem entra desesperado numa negociação faz mau negócio.Toloi, Denílson, Souza e Boschilla são alguns dos exemplos.
É preciso cortar muitas despesas e aumentar receitas. Conseguir caixa para quitar urgências e para voltar a investir. O Morumbi não rende tanto quanto o Allianz Parque e a Arena Corinthians e nem vai render enquanto não receber investimentos.A guerra interna de vaidades impede reformas profundas na gestão do São Paulo e tira do clube credibilidade. Justo a credibilidade que ganhou nos anos 2000, da qual precisa para ganhar dinheiro nos próximos anos.
 
Lucas Colombo Rossafa (jalesense, aluno do 1°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 
 

 

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