Arquibancada

Arquibancada com Lucas Rossafa em 01 de novembro

No Brasil, não há dúvidas de que o esporte mobiliza a paixão do torcedor, independentemente da modalidade. O futebol, por questões lógicas, é o que possui maior popularidade entre os brasileiros. Apesar disso, os bastidores do voleibol e do tênis chamaram a atenção dos esportistas, no final do mês de outubro, porém, de modos distintos.
No mundo do tênis, Marcelo Melo alcançou a liderança do ranking de duplas da ATP, umfeito que nenhum outro brasileiro havia conseguido. Além disso, o Brasil voltou ao topo do tênis mundial após 14 anos, pois Gustavo Kuerten, o Guga, liderou o mesmo ranking pela última vez em novembro de 2001.
Isso só foi possível graças aos cinco títulos conquistadosem 2015: o ATP 500 de Viena ao lado do polonês Lucasz Kubot, Roland Garros e o ATP 500 de Acapulco jogando com o croata Ivan Dodig, seu parceiro habitual, além do Masters 1000 de Xangai e o ATP 500 de Tóquio ao lado do sul-africano Raven Klaasen. Difícil é explicar o tamanho desse feito. Fácil é mostrar o quanto ele trabalhou para chegar lá: uma jornada longa, muito dura, muito improvável e quase impossível. Dezoito títulos na carreira não são para qualquer tenista.
Por outro lado, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV), assim como a CBF, continua pagando micos. A oposta do Osasco, Elisângela, 37, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Sidney 2000, pode ser forçada a se aposentar por conta do ranking da entidade, que determina que os times não tenhamum elenco superior aos 43 pontos, a fim de deixar a competição mais equilibrada.
Para poder disputar a próxima edição da Superliga, a atleta teria de zerar a sua pontuação. Assim, Elisângela apelou para os clubes rivais, mas não adiantou. Dois dos clubes procurados por ela – Praia Clube, de Uberlândia, e Pinheiros/SP – deram o não como resposta, enquanto o SESI-SP, clube pelo qual a jogadora já atuou, não se manifestou. 
A falta de humanidade, de ética e de bom senso marcam a CBV, já que uma aposentaria pode ser antecipada, mesmo que ainda atue em alto nível, apesar da idade. Diferentemente do que a entidade pensa, as jogadoras têm de ser ouvidas, já que elas são as donas do espetáculo. 
Você ser privado de trabalhar no próprio país por conta de uma regra que os clubes criaram é o cúmulo. As nossas atletas viraram, sim, um produto. Essa questão há tempos vem incomodando e precisa ser repensada. A realidade é triste, e o voleibol pode perder uma craque de bola precocemente. Todo mundo sairia ganhando, principalmente os apaixonados pelo vôlei, se não existisse uma administração incompetente e tão confusa da CBV.
 
Lucas Colombo Rossafa (jalesense, aluno do 1°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 
 

 

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