Arquibancada

Arquibancada com Lucas Rossafa de 20 de dezembro

“Quero que meu corpo seja cremado, que as cinzas possam ser jogadas no Morumbi, para que eu me lembre sempre do que aconteceu aqui.” Emocionado, o agora ex-goleiro Rogério Ceni expressou sua última vontade diante de mais de 60 mil testemunhas que lotaram o estádio para  a partida entre os campeões mundiais do São Paulo. E não é uma vontade qualquer. Pelo menos, não me recordo de uma declaração dessa classe numa despedida de um ídolo. 
Estavam em todas as mídias esportivas do país as dezenas de Rogério dos recordes. A ordem dos fatores não altera o produto, nem mesmo a sua qualidade. A qualidade dos dois mundos que ele conquistou com o Tricolor. Uma como reserva de Zetti, em 1993. Outra como titular: 18 de dezembro de 2005. Inesquecíveis defesas na principal partida – das 1237 oficiais – de sua carreira, diante do Liverpool, no Japão, jamais serão esquecidas.
Era preciso uma despedida em casa. Não foi em um jogo oficial. Mas foi com a multidão no Morumbi. Um cenário à parte. Por isso, ele e os milhões que o idolatram são tão atacados pelos rivais. De tanto ganhar e conquistar, de tanto provocar e ambicionar, muitas vezes com soberba desnecessária, outras com métodos e modos discutíveis do Oiapoque ao Morumbi. O São Paulo irrita e causa inveja àqueles clubes carentes de títulos internacionais. Irrita e dificilmente se imita.
Rogério é tudo que há de são-paulino para o Tricolor.
Por isso, ele incomoda quem não é. Sempre vão procurar algo em 25 anos de clube, 22 de time principal e 18 de titularidade.
Duvido que alguém encontre tantos atletas que tenham acertado na defesa de uma camisa, de um clube, de um sentimento, de uma nação. Os maiores rivais têm consciência que as três cores foram defendidas por Ceni como jamais outras cores do futebolforam.
Um mito que recusa imitações. Os dias de São Paulo no Morumbi vão ser mais vazios sem Ele. Devido às histórias – ricas, aliás –, o legado e o exemplo ficam. Fora Pelé, o Rei do Futebol, ninguém é insubstituível. Mas é impossível copiar um mito.
A partir de 2016, todo são-paulino tem um nome para gravar no coração e terminar, também,com as discussões: Rogério Ceni. “Ano que vem, nas quartas-feiras de Libertadores, estaremos juntos no Morumbi. Agora numa outra função, junto de vocês, onde fica o meu coração.”, ressaltou o capitão. #PraSempreM1TO!
 
Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 1°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 
 

 

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