sexta 05 junho 2020
Arquibancada

Arquibancada com Lucas Rossafa de 04 de outubro de 2015

A Copa do Mundo no Brasil aconteceu há mais de um ano, e ainda há muito que se discutir. Desde o final de outubro de 2007, data em que a FIFA confirmou a sede do Mundial, inúmeros brasileiros posicionaram-se contra a escolha, devido às possíveis despesas com o evento, confirmados, posteriormente. 
De acordo com o balanço oficial do Governo Federal, foram 25,6 bilhões de reais gastos em obras para o torneio, entre construções de estádios e infraestrutura – a maior parte dos custos foi destinadopara o transporte e aeroportos. Desse valor, 83,6% saíram dos cofres públicos, sendo que “apenas” 4,2 bilhões de reais foram provenientes da iniciativa privada.
Além disso, a FIFA obteve receita recorde com o Mundial do ano passado. Isenta pelo governo brasileiro de pagar aproximadamente R$ 1 bilhão em impostos e com mais de 900 contratos comerciais fechados, aentidade máxima do futebol lucrou, no mínimo, R$ 9 bilhões com o evento, e, pelo menos, R$ 1,8 bilhão superior à Copa da África do Sul, em 2010.
Outro ponto incompreensível são as 12 sedes escolhidas. Parece contraditório, mas o Mundial no país do futebol deixou elefantes-brancos. Cuiabá, Manaus e Brasília são as capitais que não possuem nenhum time entre os 40 melhores do futebol nacional, isto é, não há nenhuma equipe disputando as Séries A ou B.
O estádio Serra Dourada, em Goiânia, casa de Goiás, Atlético/GO e Vila Nova, por exemplo, foi esquecido pela CBF e pela FIFA. Foi mais vantajoso para os organizadores remodelar o Mané Garrincha, em Brasília, tornando-o o mais caro da Copa (R$ 1,5 bilhão). Santa Catarina, que possui quatro representantes na elite do futebol, inacreditavelmente, não foi sede.
A escolha mais equivocada de todas as possíveis vem de Manaus. Areconstrução da Arena da Amazônia, palco de quatro jogos durante a fase de grupos do Mundial, foi feita com um investimento de R$ 669 milhões.Seu custo mensal é de, aproximadamente, R$ 800 mil, isso porque houve um corte de quase 50% nas despesas, em relação a 2014.
Resultado: déficit de R$ 3,9 milhões nas contas públicas, somente neste ano. O temor de que o estádio se tornasse um elefantebranco se concretizou.Por tudo isso é, de fato, mais um gol da Alemanha.
 
Lucas Colombo Rossafa (jalesense, aluno do 1°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 
 
 
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