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Aprendizados do Brasileirão

por Lucas Rossafa
11 de dezembro de 2017
Lucas Colombo Rossafa
Após quase oito meses, o Campeonato Brasileiro, enfim, chegou ao seu final. Nas redes sociais e nas rodas de amigos, li e ouvi que o nível técnico foi bem fraco. Entretanto, não entendo tantas críticas por parte dos torcedores. Em uma competição nivelada por baixo, também não dá para se esperar muita coisa diferente.
Naturalmente, é impossível comparar o que é praticado aqui com o que se assiste nos principais centros do Velho Continental. Além da enorme diferença financeira - devido aos patrocinadores, investidores e cotas de televisão –, existe a desigualdade no desenvolvimento do jogo.
Olhando por tais aspectos, estamos devendo muito.No entanto, nem tudo é terra arrasada. O torneio por pontos corridos, apesar dos problemas, deixa lições para serem assimiladas em um futuro próximo. A principal delas é que o dinheiro nem sempre é tudo. Os dois clubes mais ricos do país, Palmeiras e Flamengo, fracassaram no certame continental mais importante e sequer ameaçaram o líder Corinthians na tabela. As trocas no comando técnico e os elencos inchados (e mal planejados) contribuíram para o insucesso.
Seguindo essa linha de raciocínio, conclui-se que a continuidade do trabalho é um dos pontos principais para alcançar êxito. Fábio Carille, no Timão, foi um dos poucos técnicos que iniciou e terminou a temporada no mesmo clube. Renato Gaúcho (campeão da Libertadores com o Grêmio) e Mano Menezes (vencedor da Copa do Brasil com o Cruzeiro) são outros dois bons exemplos. Quando os dirigentes compreenderem tal ideia, poderei dizer que o futebol nacional caminha, a passos curtos, rumo ao desenvolvimento.
O atual calendário, experimentado pela primeira vez em 2017, também é ponto de análise. Com as competições de mata-mata percorrendo durante todo o ano, é quase impossível que algum clube dispute as três frentes na mesma intensidade e concentração. É preciso, além de um grupo extremamente equilibrado, consciência tática perfeita e muito treinamento. A tendência é que o panorama continue o mesmo, se nenhuma mudança for feita em relação às datas dos Estaduais.
O Brasileirão que passou deixa como aprendizado a necessidade de ter convicção em uma ideia de jogo. O heptacampeão Corinthians tem uma filosofia adotada há mais de cinco anos. Em momentos decisivos, isso faz a diferença. Enquanto os principais adversários sucumbiram com as mudanças na área técnica e má preparação, o time paulista permaneceu fiel às suas convicções, principalmente na crise do segundo turno.
Se você ficou insatisfeito com que o assistiu no Campeonato Brasileiro, é melhor rever os seus conceitos. De janeiro a abril, o nível técnico do Paulistão será deplorável – e já não é novidade. Antes de tudo, será preciso muita paciência para acompanhar o time do seu coração.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 3°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 

Twitter @lucas_rossafa