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Apicultores querem solução para os danos provocados pela pulverização aérea

Os apicultores lembram que a polinização feita pelas abelhas é responsável por mais de 70% da produção de alimentos no mundo.
29 de maio de 2017
Luiz Gonzaga, com os apicultores Sérgio Ribeiro, Orestes Giovanini e Magali Martins, durante entrevista na Rádio Cultura, no dia 24 de maio, quarta-feira
A apicultura está se tornando cada vez mais difícil, principalmente nas áreas próximas aos canaviais. Na região, a questão foi discutida no dia 18 de maio, na Câmara de Paranapuã, durante encontro promovido pela Usina Colombo, de Santa Albertina, com os produtores de mel e técnicos para discutir formas de evitar o desaparecimento das abelhas.
A proposta da usina, segundo os apicultores, é desenvolver um projeto de coexistência com a cana-de-açúcar, como explicou o engenheiro agrônomo Luiz Carlos Gonzaga, que representou os produtores orgânicos, como integrante do Fórum de Agroecologia do Noroeste Paulista e da Ecofam –  Certificação Participativa.
Luiz Gonzaga acredita que a proposta pode ser boa para os apicultores, mas os mesmos precisam se organizar, pois esta é uma das condições apresentadas pela usina para que possa ser feita uma parceria para melhorar essa relação e reduzir a mortalidade das abelhas. 
Em entrevistas nas rádios locais, Luiz Gonzaga e os apicultores Magali Martins, Orestes Giovanini e Sérgio Ribeiro fizeram um relato dos problemas causados com a pulverização aérea nas colméias e comentaram o que foi discutido durante o encontro em Paranapuã.
De acordo com os participantes da reunião, algumas propostas da usina incluem além da formação de uma associação dos apicultores para a discussão em conjunto da situação, um dia de campo, subsídio para a compra de material que poderá ser utilizado na proteção das abelhas, liberação de área de mata para inserção de caixas e contato para fechar as caixas quando for pulverizar. Depois desse primeiro encontro, novas reuniões deverão ser agendadas para discutir as propostas apresentadas pela usina. 

POLÊMICA
Por um lado os apicultores afirmam que em várias regiões do estado e do país as abelhas estão desaparecendo, sendo que alguns relataram perdas de dezenas de enxames por causa da pulverização aérea dos canaviais. Por outro, a usina relata experiências de convivência com sucesso em outras regiões, como de Araraquara e Limeira, como afirmou Luiz Gonzaga.
Os apicultores lembram que a polinização feita pelas abelhas é responsável por mais de 70% da produção de alimentos no mundo e o seu desaparecimento na proporção que vem acontecendo logo poderá causar sérios problemas para toda a humanidade. Eles também citam o físico Albert Einstein que ao analisar como seria o mundo sem as abelhas afirmou que a humanidade teria apenas mais quatro anos de existência.

SOLUÇÕES
Luiz Gonzaga acredita que da mesma forma com que foi proibida a queima da cana, o problema da pulverização aérea também logo terá que ser resolvido por imposição legal, como já vem sendo proposto na Assembléia Legislativa, ou através de lei federal.
Essa também é a avaliação dos técnicos presentes ao encontro, que incluiu engenheiros agrônomos, biólogos e veterinários de vários municípios, como destacou a engenheira agrônoma Sílvia Andreu Avelhaneda Pigari, que representou a Prefeitura de Jales.
Os técnicos, segundo Sílvia, já puderam constatar que a pulverização aérea é o que está fazendo desaparecer as abelhas, pois antes isso não acontecia e as abelhas podiam ser vistas em qualquer lugar, o que não acontece mais. Isso, como afirmou, vem preocupando muito esses profissionais que tem a responsabilidade de buscar soluções não só para os apicultores, mas para os agricultores e pecuaristas em geral.