jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

Ano de montanha russa

Editorial
23 de dezembro de 2018
A se julgar pela reação do prefeito Flávio Prandi Franco e dos advogados que compõem a Procuradoria Geral do Município, a decisão da 9ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, negando provimento a recurso em que advogados da família Jalles pleiteavam mais R$ 8 milhões dos cofres públicos ainda por conta da desapropriação de área para o Distrito Industrial II, em 1988,  só pode ser definida de uma maneira bem em consonância com o período que estamos vivendo: presente antecipado de Natal. 
Não é exagero. Desde que a Polícia Federal  desfechou a Operação “Farra no Tesouro”, em 31 de julho, anunciando desvios praticados pela ex-tesoureira Érica Cristina Carpi ao longo de 10 anos, de 2008 a 2018, passando por quatro administrações sem que ninguém, nem mesmo o Tribunal de Contas, tivesse percebido nada,  o ambiente na cúpula do Executivo  estava quase ao nível do chão.
Quando estourou o escândalo, não faltou quem relacionasse o fato a episódios negativos que têm marcado a cidade nos últimos 18 anos como, por exemplo, o trágico acidente que vitimou o prefeito José Carlos Guisso, que tinha conseguido pacificar a cidade (2001), a morte de seu vice José Antonio Caparroz (2003), o afastamento do prefeito Humberto Parini, depois revertido (2011), as cassações da prefeita Eunice Mistilides e do vereador André Viotto (2015).
Os mais supersticiosos, aos cochichos, arriscavam palpite: “ só pode ser a praga que aquele padre rogou depois de apanhar dos jagunços de um chefão no começo de Jales. Toda vez que a cidade ameaça decolar, algo de negativo acontece”.
Desta forma, a vitória obtida no Tribunal de Justiça, no apagar das luzes de 2018, não somente restaura o ânimo dos gestores municipais como, de outro lado, faz lembrar que outras ações desenvolvidas em Jales por instituições, iniciativa privada ou terceiro setor mostram que a cidade está pulsando.
É o caso de lembrar o Simpósio sobre Governança na Internet, em agosto, reunindo pesos-pesados deste segmento no auditório da Associação Comercial; o Simpósio “Combate à Corrupção-30 anos de Constituição”, iniciativa do Ministério Público Federal em Jales com apoio da OAB, proporcionando um debate de alto nível entre advogados e procuradores.
Tudo isso sem contar o excepcional desempenho da Santa Casa, aferido por órgãos confiáveis, que apontaram 98% de resolubilidade e do Hospital de Amor, reforçado por novos equipamentos obtidos por campanhas do Rotary Grandes Lagos e AVCC, garantindo tecnologia de ponta para os mil procedimentos diários.
No ensino superior, avanços. A quase cinquentenária Unijales implantou o curso de Direito e a Fatec manteve-se entre as 20 melhores faculdades do país segundo o Índice Geral dos Cursos divulgado na semana que passou pelo MEC.
Enfim, 2018 está chegando ao fim com bons motivos para comemorar e tudo indica que, em 2019, com os R$ 11 milhões captados pela Prefeitura para recuperar os Distritos Industriais I e III, Jardim do Bosque e Parque das Flores, o astral dos moradores ficará nas alturas.