VESTIBULARES

Analise dos vestibulares da UNESP e UNICAMP

Na semana anterior foram aplicadas as provas dos vestibulares de duas grandes universidades de São Paulo e do Brasil: UNESP e UNICAMP. Podemos dizer que foram duas provas distintas do ponto de vista da estrutura e da elaboração. Porém, apesar do distanciamento, elevaram o nível de qualidade de suas respectivas provas em relação à 2018.
Vamos começar pela UNESP.
Repeti inúmeras vezes pelos corredores e salas do Colégio e Curso Objetivo que a UNESP fez muito mais do que consolidar seu amor de prova. Seguramente, não vi em minha carreira de professor uma prova tão inteligente, bem elaborada e linda como a da UNESP deste ano.
As questões contemplavam a inter e, em algumas vezes, a transcdisciplinaridade com muita perspicácia e sagacidade. Isso exigia do aluno um alto grau de conhecimento, privilegiando aquele aluno que se dedicou e debruçou nos estudos. Todas as questões constavam no conteúdo programático do Ensino Médio, o que não provocou surpresas. 
Algumas questões merecem comentários valoroso. A questão 14, na minha humilde opinião, foi a mais linda de todas. Ela trazia dois climogramas e pedia para o aluno assinalar a alternativa que indicava as obras literárias que correspondia a região retratada em seus espaços descritos. 
Outra questão que merece aplausos foi a 49: exigia alto nível de conhecimento conceitual em geologia e geomorfologia, interpretação de imagem e compreensão da dinâmica terrestre.
Ainda estou tentando superar o que foi essa prova...
Falemos agora um pouco de UNICAMP.
Precisamos falar de dificuldade. A prova surpreendeu pela sua abrangência de temas, diversidade de conteúdo, mas tudo muito bem feito e bem abordado.
A prova tinha 12 questões multidisciplinares. Não estava com o nível constato na UNESP. Mas, as questões também era muito bem elaboradas e exigia um nível maior de dificuldade do estudante. Por isso, podemos garantir que a prova foi difícil. 
Positivamente, podemos citar que a prova trouxe  muita clareza nas questões e nas alternativas, o que não deixou dúvidas qual era a correta ou a errada. Mas, para apontar qual seria a escolha da alternativa certa, o aluno tinha que dominar e muito a matéria abordada. 
Temas como globalização, neoliberalismo, ciclones tropicais em Moçambique, produção de petróleo no Brasil e metropolização de Brasília foram os destaques da prova de Geografia. 
Essas duas provas mostram a real tendência dos vestibulares deste ano: alto nível de conhecimento conceitual e de dificuldade na resolução, além da valorização da sala de aula e do estudo.
Logo, fiquem atentos para as próximas provas. Inclusive as segundas fases, porque o tom já está dado.
Neste domingo, temos a prova da Fuvest. Convido para assistir minha entrevista nas redes sociais para a TV Estadão, juntamente com outros professores do Sistema Objetivo de São Paulo, quando analisaremos a prova da primeira fase a partir das 21h. Perguntas e dúvidas são bem vindas.

 Eduardo Britto 
(Professor de Geografia do Colégio e Curso Objetivo de São Paulo, graduado pela UNESP, especialista em Gestão Ambiental pela UFSCAR e Mestre em Ensino de Ciências pela UFMS)
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