Arquibancada

Amarga rotina

Amigo corintiano, o cenário do seu time em 2016 é praticamente idêntico ao que viveu em 2015. Note: começo avassalador na Copa Libertadores e muitos elogios para a habilidade de Tite em montar sua equipe num curto espaço de tempo. No ano passado, porque o gaúcho tinha acabado de substituir Mano Menezes e conseguia desempenho muito mais satisfatório. Neste ano, porque logo após o desmanche que tirou seis titulares do elenco campeão nacional, o técnico conseguiu remontar o time e iniciar a temporada com uma boa sequência de vitórias.
Além disso, as quedas com o mesmo desfecho incomodam. O Corinthians caiu, nos dois últimos anos, nas semifinais do Campeonato Paulista, nos pênaltis, depois de um empate por 2 a 2 contra Palmeiras e Audax. Na sequência, sucumbiu, em Itaquera, nas oitavas de final para o Guaraní (PAR) e Nacional (URU), clubes que, teoricamente, eram inferiores ao Timão.
A falta de gols em casa também é um fator semelhante. Após as eliminações, contra o Grêmio, o Alvinegro encerrou uma sequência de 32 partidas marcando consecutivamente. A última vez que passou em branco na Arena foi em maio de 2015, quando perdeu para o Palmeiras, por 2 a 0.
Assim como no mesmo período do ano anterior, o Coringão vive com notícias de possíveis saídas de titulares. Fábio Santos, Emerson Sheik e Paolo Guerrero, importantíssimos para o esquema tático, saíram no meio do ano passado. Agora, Felipe e Elias são alvos de transferências internacionais. Dois jogadores incontestáveis que podem estar com os dias contados no Brasil. O zagueiro, aliás, fala abertamente da sua negociação com o Porto (POR), que gira em torno de R$ 30 milhões – o clube paulista tem 100% dos direitos econômicos.
Fatores como esses não representam que o Corinthians não será heptacampeão brasileiro. Pelo contrário. Há condições, sim, de levantar a taça em dezembro. Mas as chances são bem menores do que em 2015. É preciso ter a regularidade do início do ano, porém contra adversários de maior qualidade. Não há Renato Augusto. Não há Jadson. Não há Ralf. Não há um meio de campo tão entrosado como antes. Agora, é preciso que os 30 milhões de loucos tenham paciência, até mesmo com André.
A grande – e tão importante – diferença entre as duas campanhas reside no fato do espetáculo. Antes, o Timão viveu jornadas empolgantes contra adversários fracos e fortes. Hoje, tem sofrido um pouco mais do que o normal contra os rivais que exigem mais do seu desempenho.
Se o título do Brasileirão pode parecer um sonho distante, uma vaga no G-4 é uma realidade um tanto próxima.
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