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ALMA LAVADA – Maria Aparecida Moreira Martins está de volta à Secretaria Municipal de Saúde. Oficialmente, ela reassumirá suas funções amanhã, dia 17 de setembro.

Fique Sabendo
16 de setembro de 2018
Fim da tormenta: Maria Aparecida Moreira Martins de volta à Secretaria Municipal de Saúde renomeada pelo prefeito Flávio Prandi Franco
ALMA LAVADA – Maria Aparecida Moreira Martins está de volta à Secretaria Municipal de Saúde. Oficialmente, ela reassumirá suas funções amanhã, dia 17 de setembro.  Trata-se de uma justa reparação a quem se viu no olho do furacão da Operação Farra no Tesouro, deflagrada pela Polícia  Federal no dia 31 de julho, quando foram revelados os malfeitos praticados pela então diretora financeira da Prefeitura Municipal, Érica Carpi, acusada de desvios no caixa da municipalidade de 2008 a 2018, driblando auditores do Tribunal de Contas do Estado, superiores hierárquicos e controladores internos. 

TSUNAMI – Vale recordar o que aconteceu. Às 6 horas da manhã do dia 31 de julho, Maria Aparecida foi acordada por policiais federais batendo à sua porta com ordem de prisão. Conduzida até a delegacia da PF e ouvida pelo delegado Cristiano Pádua da Silva, que comandou a operação, Maria Aparecida foi libertada duas horas depois. O próprio delegado pediu a revogação da prisão da secretária municipal de Saúde, certamente por ter visto logo de cara que nada a incriminava.  Porém, o estrago já estava feito. A imagem dela apareceu nos principais telejornais do país como se tivesse participado das falcatruas.

SOLIDARIEDADE – Imediatamente após a divulgação dos fatos, Maria Aparecida, ainda chocada, recebeu a solidariedade de colegas de trabalho, amigos pessoais e todos aqueles que, em algum momento, conviveram com ela ao longo de 40 anos, especialmente na rede estadual de saúde. Viúva, ela teve o apoio dos três filhos. Uma, professora de Direito Penal da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul; outro, engenheiro e agora estudante de medicina e o terceiro, graduado em Sistemas de Informação e músico diletante. 

FÉ - Maria Aparecida resistiu à tempestade por ser uma mulher de fé. Integrante de um dos grupos de oração da Catedral, ela conseguiu evitar a depressão graças à crença na existência de Deus. Ela não nega que, nos primeiros dias, chorou muito, mas nunca perdeu a esperança de ver sua honra restaurada.

PONTO FUTURO- Ao renomear Maria Aparecida para a Secretaria Municipal de Saúde, o prefeito Flávio Prandi Franco coloca no devido lugar uma profissional de currículo invejável, de grande destaque os meios acadêmicos e que, no exercício de suas atividades, sempre levou bem alto o nome de Jales.

ECOS DO SIMPÓSIO - Ao fazer a abertura do Simpósio contra a Corrupção -30 anos de Constituição, promovido pelo Ministério Público Federal em Jales e Subseção da OAB, dia 17 de agosto, o diretor deste jornal, na condição de mestre de cerimônias convidado, pontuou que nossa cidade não é melhor nem pior do que as vizinhas, é apenas diferente, evocando fatos históricos que sustentam a posição vanguardista da cidade, categoria no qual aquele simpósio se incluía. 

DE OLHO NA URNA- Passados 27 dias do encontro, eis que a Folha de S. Paulo, na edição de 13 de setembro, estampou, com direito a manchete de capa, uma notícia segundo a qual o conselheiro do Conselho Nacional do Ministério Público, Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho, pediu investigação sobre promotores e procuradores responsáveis por iniciativas recentes contra candidatos. “Em nenhum momento nós reprimimos o fato de terem apresentado as denúncias, é direito e dever investigar e denunciar. O que não se pode fazer é utilizar de artifícios do calendário eleitoral para ter um impacto na apreciação da população sobre determinado candidato”, afirmou, referindo-se a ações de improbidade propostas, no dia 4 de setembro, contra Fernando Haddad (relativa a fatos de 2013), Geraldo Alckmin, no dia 5 (fatos de 2014) e prisão temporária de Beto Richa, dia 12 (fatos de 2011 e 2012).

BATE-PRONTO – A resposta da força-tarefa da Lava Jato não se fez tardar. Os procuradores reagiram no mesmo tom, afirmando que a investigação proposta na Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público era “comparável a uma mordaça”. Para os procuradores, a atividade-fim dos membros do Ministério Público não está sujeita a correições desse tipo. 

DIREITO DE DEFESA – O embate entre o conselheiro Bandeira de Mello e a força-tarefa da Lava Jato na semana que passou tem tudo a ver com o primeiro tempo do Simpósio de Jales. Como registrou esta coluna, o advogado Guilherme Batocchio, o primeiro a falar, fez pesadas críticas ao modus operandi do Ministério Público e à Operação Lava Jato.  Acusou promotores e procuradores de, aproveitando-se do poder que ganharam a partir da Constituição de 1988, estarem cometendo uma série de abusos, atentando contra o direito de defesa. Quando terminou de falar, Batocchio foi aplaudido de pé.

OUTRO LADO – Segundo na lista de expositores, Douglas Fischer, que foi o nº 2 da Procuradoria Geral da República na gestão de Rodrigo Janot e é autor de livros, , deixou de lado a súmula do assunto que iria abordar para rebater os ataques do advogado, negando peremptoriamente que seus companheiros de Ministério Público cometam abusos.  A temperatura do Simpósio de Jales só voltou ao normal no segundo tempo quando falaram o advogado Gustavo Badaró, professor da USP, e o ex-PGR, Rodrigo Janot.