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Além da prosa

Perspectivas por Carol Guzzo
26 de maio de 2019
Caroline Guzzo
Recentemente, foi publicada uma pesquisa que adverte algo muito visível na sociedade — a intolerância de ouvir a opinião do outro. Neste artigo também vou falar das Lagostas e dos Vinhos do STF. Chegue até o fim. 
Como já sabem, as redes sociais foi a alavanca para a inteligência mundial (rs). Milhões de brasileiros aprenderam diversos assuntos e acham que sabem, ou melhor, têm certeza do que falam ou divulgam. Oh vida, oh céus!
Não estou tirando isso da minha cabeça. Pesquisadores realizaram um estudo em 27 países para descobrir se vale a pena conversar com quem tem visões políticas diferentes, 32% dos brasileiros disseram não, apenas na Índia (35%) e na África do Sul (33%) as pessoas são ainda mais fechadas. Mas, por que a sociedade não acha viável uma discussão saudável? 
Vou responder por mim. Quando escrevo artigos e pessoas que pensam diferente falam nas redes sociais de forma harmoniosa, eu adoro, acho bacana ouvir/ler a opinião do outro, agora existem pessoas que me xingam, me chamam de comunista, petista, de doida, maluca, burra e muito mais, ou seja, não têm o pingo de senso e sabedoria para refletir sobre o que escrevo. É aí que vejo como as pessoas se acham donas da verdade e o pior, não sabem conversar. Acho que por isso que eu e muitos desistem de expor suas opiniões nas redes sociais ou pessoalmente, para evitar brigas e inimizades, embora particularmente não perco a amizade por isso. Ah, detalhe, não vou deixar de escrever, tá (rs). 
Nas redes sociais o sistema é fácil, rápido e prático. Não gostei? Bloqueio. No whats, eu excluo e assim por diante, vai se criando um mundo individualista e partindo para o sistema narcisista, no qual o outro não existe, só existe se ele falar o que me agrada. 
Ao contrário da minha opinião, precisamos sim tentar estabelecer o diálogo, ouvir pontos de vista contrários, entender o que as pessoas acham e tentar mostrar, de alguma forma, onde estão sendo equivocadas ou aprender também. Não existe mais aquela frase: eu nasci assim, cresci assim e vou morrer assim. Somos uma espécie em constante evolução e para que saibamos conversar sobre política ou qualquer outro assunto, precisamos estudar, buscar fontes confiáveis e entender o que é para debater com o outro com sabedoria e conhecimento. Não fale na incerteza, fale na certeza. 
E, falando em desentendimento, vamos a um fato que foi o fim do mundo para muitos brasileiros e marcou diversos noticiários nos últimos dias, sobre as lagostas e os vinhos do Supremo Tribunal Federal. Vamos entender. 
Você acha mesmo que os “comes e bebes” são para encher a barriga em refeições diárias para os Ministros? Errou! Na verdade, esse cardápio o STF tomou como base especificações e características semelhantes ao contrato firmado pelo Ministério das Relações Exteriores, que foi validado pelo Tribunal de Contas da União.
E, tem mais, a licitação foi realizada com base na previsão de eventos específicos para este ano, como reuniões do Mercosul, da cúpula do BRICS – grupo de países formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, recebimento de Chefes de Poderes e de Estados estrangeiros e Juízes de Cortes Constitucionais de todos o mundo, ou seja, é necessário um cardápio à altura para que recebam pessoas de altíssimo nível político, cultural e econômico. 
Eu, particularmente, não vi nada de anormal, pois não dá para servir pão com salsicha, coxinha de frango ou uma cervejinha. E tem mais? Não é porque foi licitado que o valor vai ser integralmente gasto, dado que se trata de uma mera estimativa da demanda para um ano. 
Para finalizar, venho com uma reflexão do filósofo Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que dizia: “Do conflito entre tese e antítese surge a síntese, que é uma situação nova que carrega dentro de si elementos resultantes desse embate”. Por isso, o embate saudável de ideias é sempre bem-vindo, assim conseguimos alcançar novos conceitos.

 Caroline Guzzo
MTb 71628/SP
(jornalista jalesense, radicada em Uberlândia/MG)