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Akira Sakashita, 95 anos, 11 filhos, todos com nível universitário

Maior orgulho do patriarca é a harmonia entre os filhos, sem nenhuma desavença entre eles
13 de agosto de 2017
Akira Sakashita acompanhava o desempenho dos filhos com uma lupa para ver no jornal se tinham sido aprovados nos vestibulares
Na manhã de quinta-feira, 10 de agosto, a reportagem do Jornal de Jales procurou Akira Sakashita, um imigrante japonês prestes a completar 95 anos, chefe de uma família composta por 11 filhos.
“Seo” Akira vive em uma confortável casa em sítio do filho Toshiro,tendo como fiel escudeira a filha Marli, desfrutando a velhice de forma saudável e  feliz.
 Ele ostenta de ótima saúde, tem contagiante bom humor e ainda se dá ao luxo de, diariamente, tomar uma cervejinha no almoço e um cálice de saquê quente no jantar.
Puxando os fatos pela memória, Akira Sakashita contou que nasceu no Japão e veio para o Brasil com 12 anos, instalando-se, com a família, em Bebedouro, na fazenda do senador Moura Andrade, na época um importante entroncamento da estrada de ferro São Paulo-Goiás, onde se casou aos 28 anos. 
Depois, mudou-se para Guararapes e, em seguida, veio para a região em 1964, onde já moravam parentes, fixando-se inicialmente em Pontalinda e finalmente em Jales.
Casado com a Sra. Fumiko, já falecida,  aqui criou 12 filhos, sendo que um deles faleceu nos anos 1970. 

EDUCAÇÃO
“Seo “ Akira admite que foi um pai severo e exigiu dos filhos dedicação ao trabalho na propriedade e aplicação nos estudos.
A filha Marli, ao lado dele durante a entrevista, brincou: “nossas férias eram durante o período das aulas”. Toshiro acrescentou: “nas férias, não tinha moleza, todos os irmãos pegaram no cabo da enxada”.
O patriarca chega a gargalhar quando falou do rigor no encaminhamento dos filhos para a vida: “Hoje, eu sou um pai mansinho, bem manso”.
Toshiro aproveitou a deixa para registrar que o pai fixou uma regra segundo a qual os filhos mais velhos, assim que se formavam, ajudavam os irmãos mais novos. E isso tinha uma lógica: “no Japão, os mais novos precisam respeitar os mais velhos”.
Mas, valeu a pena a disciplina própria dos japoneses e que ele colocou em prática na família. Todos os filhos, que só tinham cursado escolas públicas, chegaram aos bancos universitários das melhores instituições do país, como se verá a seguir: Massahaki – Física (USP), Mário – Medicina VeterináriA (USP), Oscar – Ciência Computação (Unicamp), Alexandre – Medicina (USP),  Osvaldo - Engenharia Química (Unicamp), Iraci – Odontologia (Unesp), Toshiro – Agronomia (Unesp), Marli - Farmácia Bioquímica (Unesp),  Silvio -  Engenharia  Mecânica (Unicamp), Cinthia – Odontologia (Unesp) e Roberto – Engenharia da Computação (Unesp).

HARMONIA
Além do desempenho dos filhos nos estudos e nas atividades profissionais, Akira Sakashita fala com prazer no ambiente de harmonia que reina em família. Segundo ele, todos os 11 filhos se dão muito bem, convivem como verdadeiros irmãos. “Ninguém é brigado com ninguém”, acrescentou.
Por esta razão, sempre que podem, principalmente em datas temáticas, os 11 filhos e suas famílias se reúnem em torno do patriarca, o que provoca um ambiente de indescritível camaradagem. 

POESIA
Justificamente orgulhosos do pai, Marli e Toshiro  contaram também que, em 2000, na virada do século, Akira Sakashita ganhou um concurso mundial de poesias no Japão do qual participaram imigrantes de vários países. O prêmio foi amplamente divulgado em jornais, rádios e emissoras de televisão do Japão.