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Aguirre e o sonho improvável

por Lucas Rossafa
06 de maio de 2018
Lucas Colombo Rossafa
Diego Aguirre substituiu Dorival Júnior no início de março para tentar dar cara nova ao São Paulo. Mas se a intenção da diretoria era, no mínimo, buscar regularidade, por enquanto, não obtém resultados. Sob comando do uruguaio, o time vive numa gangorra impressionante e não consegue engatar sequência positiva.
Em menos de dois meses, ainda é cedo para qualquer cobrança mais rígida. Embora o elenco tenha tido tempo entre uma partida e outra para se preparar, a compreensão de nova filosofia demora e exige paciência. Porém, a rotina de eliminações frustrantes continua a atormentar: já amargou dois fracassos decepcionantes – Corinthians e Atlético-PR.
O que causa incômodo é o comportamento do Tricolor como visitante. Longe do Morumbi, dificilmente se vê uma atuação convincente e que traga esperança de novos dias ao torcedor. Apatia, inconsistência e fragilidade ofensiva são pontos em comum. Com Aguirre, são três empates, três derrotas e míseros 16.6% de aproveitamento. Ou seja, mudanças no comando técnico nem sempre são as soluções mais adequadas.
O trabalho, entretanto, também tem pontos positivos. O principal foi dar vida a Igor Liziero. O jalesense, talismã de André Jardine, auxiliar técnico e ex-comandante do sub 20, foi titular logo na segunda partida do treinador à frente do time e não saiu mais. Com 20 anos, o garoto tornou-se alternativa importante pela esquerda e com excelente transição da defesa ao ataque, graças ao bom aproveitamento nos passes.
Se um garoto ganhou projeção nacional, outro perdeu. Brenner começou a temporada entre os iniciais com Dorival Júnior, fez gol em clássico e garantiu classificação na Copa do Brasil, mas entrou em campo somente uma vez nesta nova era. A aposta das categorias de base está sem espaço, mas pode ganhar mais minutos no futuro se tiver confiança de membros da comissão técnica.
Se o elenco do São Paulo é limitado e sofre com carências defensivas, sobretudo na lateral-esquerda, Diego Aguirre é um dos únicos isentos da responsabilidade. O comandante sequer participou do planejamento e vem buscando, aos trancos e barrancos, levar o Soberano ao improvável. Brigar por título na Copa Sul-Americana e por vaga na Libertadores via Campeonato Brasileiro são, no momento, dois sonhos distantes.

Lucas Colombo Rossafa
(jalesense, aluno do 4°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 
Twitter @lucas_rossafa