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Agora não, chega!

Perspectivas por Caroline Guzzo
26 de agosto de 2018
Caroline Guzzo
“Dizem que a mulher é o sexo frágil, mas que mentira absurda. Eu que faço parte da rotina de uma delas, sei que a força está com elas... Mulher, mulher na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte, mas não chego aos seus pés.” Erasmo Carlos.
A música Mulher, 1980, relata a força e competência das mulheres que lutam diariamente para driblarem os assédios e as intolerâncias, gerenciam toda uma estrutura familiar e ainda são taxadas por machistas como sendo incapazes. 
Quero fazer uma reflexão do que vem acontecendo gradativamente no país, a violência contra mulher. Sabemos que isso não é de hoje, desde quando o mundo é mundo existe este tipo de crime. Vamos saber um pouco de história. 
Por volta de 1772 a.C. Hamurabi, o sexto rei da Babilônia, hoje Iraque, decretou um código composto por 282 leis. O código Hamurabi é a legislação mais antiga que se tem conhecimento. Vejam as leis: “Se ele bater em uma mulher comum e a fizer abortar, deverá pagar cinco siclos de prata. Se essa mulher morrer, ele deverá pagar 30 siclos de prata”. A vida de uma mulher comum valia 30 siclos de prata e a de uma escrava, 20, ao passo que o olho de um homem comum correspondia 60 siclos de prata. 
Na Grécia Antiga, as mulheres não tinham direitos jurídicos, não recebiam educação formal, eram proibidas de aparecer em público sozinhas, sendo confinadas em suas próprias casas. Em Roma elas nunca foram consideras cidadãs e, portanto, não podiam exercer cargos públicos. 
Aqui no Brasil, você já deve ter ouvido falar sobre as casas de tolerância, ou melhor, prostíbulos, no qual o homem poderia frequentar sem culpa, levando até os filhos jovens a conhecer o ambiente. Naquela época, as esposas eram obrigadas a aceitar ou fingir que não sabiam, e muitas delas ainda eram maltratadas pelos maridos, exploradas e ameaçadas, ou seja, um crime de violência no qual elas não tinham voz e nem vez para denunciar. Daí, já temos uma ideia que a violência contra a mulher não passa de uma questão cultural ou até mesmo religiosa em alguns países.
Mais um pouquinho deste problema da antiguidade que ainda acompanhamos nos dias atuais. Em Portugual, um juiz suspendeu as penas de dois homens condenados por violência doméstica e outros crimes contra uma mulher acusada de adultério. Na decisão, o juiz afirmou que na Bíblia está escrito que a mulher adúltera deve ser punida com a morte, a agressão ocorreu em 2015. Absurdo!
Dentre tantas barbaridades, só vemos o mapa da violência no Brasil aumentar, 43 mil mulheres foram assassinadas em 10 anos e a cada dia cerca de 13 são mortas no país. De acordo com o Datafolha 40% das mulheres acima de 16 anos já sofreram algum tipo de assédio que pode ser verbal, abuso físico ou sexual. Onde isso vai parar? Já estamos no século XXI. 
Em agosto deste ano, a lei Maria da Penha completou 12 anos de atuação, apesar das medidas protetivas, ainda se vê uma ineficiência na execução. Para fortalecer as penalidades destes crimes foi criado em 2015 a lei do feminicídio, que é a morte violenta de mulheres por razões de gênero, ou seja, um crime de ódio. 
De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), atualmente, tramitam mais de 1 milhão de processos relativos à violência doméstica na Justiça brasileira. Para acelerar a conclusão desses casos, é promovida três vezes ao ano, a Semana Justiça pela Paz em Casa, que já está na 11ª edição, e tem como objetivo unir os Tribunais de Justiça de todos os estados e do Distrito Federal para julgar casos de violência contra a mulher. 
Mesmo diante de tantas histórias, dados e números, a mulher ainda segue vítima de muitos maridos, namorados, patrões, desconhecidos, enfim, algumas acabam aceitando as condições impostas, por medo. Nós podemos dar um basta em tudo isso, não há o que temer. Mulher, dê o seu grito e mostre a sua força, já não somos as mesmas de antigamente. 

Fonte:http://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2018-08/justica-faz-novo-esforco-para-julgar-acoes-de-violencia-contra-mulher
http://www.historica.arquivoestado.sp.gov.br/materias/anteriores/edicao21/materia03/
Sapiens: uma breve história da humanidade. Yuval Noah Harari. Pag. 99/100
https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2017/10/24/juiz-cita-biblia-e-adulterio-para-suspender-penas-de-agressores-de-mulher-em-portugal.htm

Caroline Guzzo
(jornalista jalesense, radicada em Uberlândia/MG)