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A voz das ruas

Editorial
22 de abril de 2018
Cada vez mais mal humorada em relação à chamada classe política e, protegida pelo anonimato das redes sociais, misturando alhos com bugalhos, a opinião pública tem virado suas metralhadoras para os detentores de mandatos.
Do presidente da República aos vereadores, passando por senadores, deputados federais e estaduais e prefeitos, não escapa ninguém —é chumbo grosso para todo mundo.
Os mais atingidos   são os vereadores. Embora se reconheça que, de fato, alguns legisladores municipais realmente exageram, inclusive comparecendo a velórios sem conhecer os finados, algumas iniciativas merecem o devido destaque.
Em termos de Câmara Municipal, uma delas é a Medalha XV de Abril, criada em 1995 por iniciativa do vereador Ari Dalton Martins Moreira, honraria concedida anualmente, sempre nas imediações do aniversário da cidade.
Foi o que aconteceu na última quarta-feira, dia 18 de abril, quando foram entregues quatro medalhas e um título de cidadania a pessoas dos mais diversos segmentos. 
Salvo melhor juízo, todos foram merecedores das homenagens feitas pela Câmara Municipal, eis que o legado que deixarão fala por si.
Seria uma heresia, por exemplo, ignorar o que fez Genésio Seixas, membro de uma família que chegou em Jales nos primórdios da cidade. De suas vivências e pesquisas, nasceram dois livros que se tornaram fontes de consultas de estudantes de todos os níveis. Do ponto de vista pessoal, doou o dinheiro apurado na venda de uma casa à Santa Casa e um carro ao Hospital de Câncer. 
De outra parte, como contestar a medalha entregue ao empresário Fábio Amadeu, de 47 anos? De família historicamente ligada à pecuária, ele resolveu mudar completamente o foco dos negócios, loteando um espaço ocioso e transformando-o no Jardim Elisa, um dos mais acolhedores bairros da cidade. Não contente, apostou no crescimento vertical e ergueu em ponto privilegiado da cidade, a confluência das Ruas 17 e 6, o Edifício Murano, com oito andares, dotado daquilo que há de mais moderno neste segmento. Tudo com recursos próprios.
Outro reconhecimento justíssimo foi ao professor Rui Rodrigues de Souza, um verdadeiro multimídia. Poeta, compositor, cantor, pintor, caricaturista e escritor, a medalha a Rui foi uma conquista pessoal e um tributo ao movimento cultural jalesense o qual ele integra a décadas.  
Secretário-geral da OAB/SP, Caio César Silva Santos, que recebeu medalha, fez por merece-la. Ao tempo em que comandou a Comissão Estadual da Assistência Judiciária, abriu caminho para que as pessoas carentes tivessem acesso à justiça.
A medalha ao empresário Alcides Fernandes também fez sentido. Em uma fase de crise no país, ele escolheu Jales para montar um moderno supermercado.
Em resumo, a Medalha XV de Abril e o título de Cidadão Jalesense, quando outorgados com critério, são uma boa maneira de dizer “muito obrigado” a quem faz diferença.